Há adolescentes e jovens que não conseguem imaginar um mundo sem telemóveis, tablets e outros instrumentos tecnológicos que aos poucos mudam a forma como as pessoas se relacionam entre si
Há adolescentes e jovens que não conseguem imaginar um mundo sem telemóveis, tablets e outros instrumentos tecnológicos que aos poucos mudam a forma como as pessoas se relacionam entre siSabemos o quanto a nossa sociedade está cada vez mais ligada ao mundo virtual, com termos como online, wi-fi, whatsapp e outros fazendo parte do dia a dia, não só dos mais novos como de muitos menos jovens. Há inclusive adolescentes e jovens que não conseguem imaginar um mundo sem telemóveis, tablets e outros instrumentos tecnológicos que aos poucos mudam a forma como as pessoas se relacionam entre si. Recordo que no passado Natal uma das publicidades mais recorrentes tinha precisamente a ver com a possibilidade de toda a família estar ligada com o wireless, fazendo tudo menos falar uns com os outros. Recentemente, recebi um e-mail que nos pode convidar a uma reflexão sobre a transformação nas relações interpessoais. Esta é a história que esse email contava: O avô finalmente comprou um computador e até se desenvencilha bem, em especial com os emails. E eis que recebe um do andré, seu neto de quinze anos, que diz: “Bom dia, avô, como vais? É muito bom saber que agora nós podemos trocar mails. assim não preciso de ir a tua casa para ter notícias tuas! Olha, avô, para a minha semanada tu agora podes fazer transferência para esta minha conta jovem: PT50009999. Fácil, não é avô? Teu neto andré, que te adora”. E o avô responde: “Querido andré, está tudo bem. Eu comprei um velho scanner a um amigo. assim, eu vou scanizar uma nota de 20 euros e enviá-la por mail; quando tu tiveres um pouco de tempo, podes vir a minha casa buscar o original”. assinado: teu avô virtual. Ora, certamente se Jesus fosse vivo hoje, também faria uso dos meios que temos à disposição, mas não deixaria de dar preferência ao método de comunicação mais usado por Ele há dois mil anos: o face-to-face. Ou seja, o encontro pessoal, onde ver, escutar, abraçar e partilhar outras formas de amizade e amor, tem mais sentido, profundidade e valor e, como tal, era o método preferido e o mais admirado por todos os que O seguiam e com Ele conviviam. O Evangelho deve ser entendido não só como um livro (neste caso, quatro livros) que nos fala de Jesus, mas acima de tudo entendido como sendo o próprio Jesus, ou seja, a incarnação da Boa Nova que Deus nos transmite através da missão do Seu Filho e nosso irmão. Mais ainda: Jesus entrega a Sua missão a cada um de nós, cada um segundo a sua vocação e capacidades. Mas a alguns ele faz uma proposta mais direta e comprometedora: de serem continuadores pessoais da sua mesma missão.como tenho mencionado em crónicas anteriores, o nosso mundo está cada vez mais necessitado destes e destas que se colocam ao serviço da missão de forma comprometida para toda a vida. Para que esta missão seja possível – e falo por experiência própria – é necessário que se faça uma aplicação especial à vida e à relação com o próximo: gostaria de lhe chamar o app (aplicação) da proximidade. É esta mesma proximidade que o Papa Francisco tanto tem mencionado nos seus discursos, toda ela baseada na figura e ação de Jesus, o qual era o Mestre da proximidade por excelência. Basta pensar que, se quisesse, Ele podia ter ficado comodamente instalado numa sinagoga em Jerusalém, com filiais em Nazaré, Betânia, Cafarnaum e outras localidades onde era seguido e adorado por multidões. Porém, ao contrário do que seria normal, Ele escolheu a missão feita em caminho, baseada na proximidade às pessoas. Esta proximidade caracteriza-se acima de tudo pelo acolhimento, aceitação do outro e por atitudes que vão desde a compaixão à misericórdia, passando pela partilha, compreensão, empatia, consolação, entre outras. Todas elas valorizam, promovem e defendem a dignidade de cada pessoa. Mais do que ninguém, o missionário deve ser especialista nesta aplicação da proximidade, para que a Igreja seja de verdade e cada vez mais autêntica e humildemente um instrumento credível e ativo do amor de Deus no mundo e para com o mundo. Claro, falar é fácil, mas é necessário tomar consciência da nossa vocação humana para a felicidade. E o nosso mundo precisa de gente dedicada a este serviço de amor pela humanidade a tempo inteiro. Somos ainda poucos e a missão é mais urgente do que nunca.