« a luta contra a pobreza não é só um problema económico, mas antes de tudo moral», afirmou o Papa. Portugal continua a contar com quase meio milhão de pessoas que se mantêm em risco de pobreza, apesar de trabalharem
« a luta contra a pobreza não é só um problema económico, mas antes de tudo moral», afirmou o Papa. Portugal continua a contar com quase meio milhão de pessoas que se mantêm em risco de pobreza, apesar de trabalharemapobreza continua a ser um flagelo, não só em Portugal, mas de ordem global, o que leva Francisco a ter uma sensibilidade especial pelos mais desfavorecidos. O Papa recebeu no final da manhã de sexta-feira passada cerca de 300 participantes na Conferência internacional da Fundação Centesimus annus – pro Pontifice. O encontrodebruçou-se sobre a iniciativa empresarial na luta contra a pobreza. Emergência refugiados, o nosso desafio.
O Pontífice denunciou as consequências da falta de trabalho para as famílias e sobretudo para os jovens. as taxas de desemprego juvenil, afirmou, são um escândalo que não só requer que seja enfrentado primeiramente em termos económicos, mas deve ser tratado também, e não menos urgentemente, como uma doença social, dado que à nossa juventude é roubada a esperança e são desperdiçados os seus grandes recursos de energia, criatividade e intuição.
Francisco dedicou ainda uma palavra ao problema dos refugiados, um dos temas que o marca, dizendo: a crise dos refugiados, cujas proporções estão a aumentar dia a dia, é uma daquelas à qual me sinto bastante próximo. Na minha visita à Ilha de Lesbos fui testemunha das tristes experiências de sofrimento humano, sobretudo das famílias e das crianças. Por isso, a comunidade internacional é convidada a dar respostas políticas, sociais e económicas a tais dramas que ultrapassam os confins nacionais e continentais.
Francisco expressou a sua esperança de que esta Conferência internacional possa contribuir para gerar novos modelos de progresso económico orientados para o bem comum, inclusão e desenvolvimento integral, incremento do trabalho e investimento nos recursos humanos. a sua vocação é servir a dignidade humana, a construção de um mundo mais solidário e a civilização do amor, que abraça a justiça e a paz.
a atividade económica deve estar ao serviço da pessoa humana e do bem comum e isso é uma verdade incontestável, mas que infelizmente alguns economistas menosprezam, e os políticos não materializam. No caso português, e de acordo com as estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes a Março passado, havia 640. 200 pessoas desempregadas, números oficiais que não abrangem a totalidade daqueles que não têm trabalho. De referir que houve perda de emprego em todos os sectores de actividade. a acrescentar a isso, verificamos que o número de população activa também baixou, sendo nessa data de 5. 153. 400.
Se juntarmos a estes factores a queda nas exportações (2 % em relação ao ano passado) constata-se um quadro confrangedor no presente, mas com forte tendência de piorar no futuro próximo.como as importações aumentaram, devido à alta do consumo e de bens duradouros (veja-se o caso dos automóveis), a economia acusa novamente um agravamento do défice comercial, o que torna o arranque deste ano mais lento e incerto.
a que se deverá este quadro económico pouco abonatório para o país? De acordo com o investigador Carlos Farinha Rodrigues grande parte do problema advém do ajustamento económico quase trágico que ocorreu com o período do resgate. O professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) diz que os mais pobres foram de longe os que mais sofreram entre 2009 e 2013, O rendimento dos 10% mais ricos desceu 8%. Quando analisámos a quebra do rendimento dos 10% mais pobres verificámos que desceu 24% no período entre 2009 e 2013. analisados os números disponíveis, Carlos Farinha Rodrigues conclui que a taxa de pobreza em Portugal se agravou muito. O balanço social deste processo de ajustamento é, quase que poderíamos dizer, trágico. Regredimos em termos de indicadores de pobreza e exclusão social praticamente para o início do século.
a necessidade do apoio ao crescimento é notório e indispensável, é preciso políticas correctas de molde a permitir a criação de riqueza, pois só dessa forma é possível criar mais emprego, que faz falta como o pão para a boca de qualquer um. E isso são os privados que o conseguem. ao Estado é preciso lembrar que não deve gastar para além dos limites razoáveis e tal não está a acontecer.
as medidas tomadas nos últimos meses pelo actual Governo vão, na sua maior parte, no sentido de criar mais despesa, isto mesmo com a economia em baixo. a pergunta é simples: estando o país endividado e cada vez mais pobre, quem paga? Claro que serão novamente os contribuintes, apesar de a carga fiscal já estar nos 34,5% do PIB, uma percentagem esmagadora e quase insuportável. O risco de pobreza ou de exclusão já afecta acima de 2,8 milhões.como é possível? Por este andamento estaremos obrigados a ter um país cada vez mais empobrecido. Será necessário lembrar aos governantes que têm um papel importante na recuperação deste país?