Os momentos menos bons de Marta Fernandes levaram-na a aproximar-se novamente da fé. agora a viver em Leiria, onde tem uma escola de teatro, a atriz diz que nasceu para pisar os palcos ou para ser turista
Os momentos menos bons de Marta Fernandes levaram-na a aproximar-se novamente da fé. agora a viver em Leiria, onde tem uma escola de teatro, a atriz diz que nasceu para pisar os palcos ou para ser turistaadora a Nossa Senhora de Fátima, mas não aprecia o Santuário. ama o teatro, vibra quando pisa um palco, mas sente-se incomodada com a máquina que controla a cultura em Portugal. ainda assim, a representação corre-lhe nas veias, a vontade de ajudar a formar novos talentos e novos públicos é imensa e foi isso que deixou bem explícito na noite de quarta-feira, 27 de abril, no Consolata Museu, em Fátima.
Convidada para a segunda edição do Chá com arte, Marta Fernandes, atriz e diretora de uma escola de Teatro Musical, em Leiria, apresentou-se igual a ela própria: simples, faladora, sensível e incisiva nos reparos à gestão da cultura no nosso país. Tudo isto condimentado com um refinado sentido de humor, que deu até para imitar os tempos que passou no Teatro Politeama a trabalhar num musical com Filipe La Féria.
Natural de alcanena – embora tenha nascido em Santarém -, Marta recordou a época em que foi estudante nos colégios religiosos de Fátima e a importância que tiveram no seu crescimento. O facto de ter tido sempre o acompanhamento das irmãs foi muito positivo. Elas estão sempre presentes e isso não acontece na maioria das escolas públicas, disse a atriz.
Seguiu-se o período da licenciatura em Estudos Teatrais na Escola Superior de Música e das artes do Espetáculo (ESMaE), no Porto do seu coração, a passagem pela Companhia de Teatro Seiva Trupe, e a entrada no mercado de trabalho para televisão, com participações em séries que se tornaram bem conhecidas do público – sobretudo o mais juvenil -, como Floribella ou Chiquititas.
Da experiência profissional, disse guardar boas e gratas recordações. Já da máquina que gravita em torno deste mercado, a opinião foi menos positiva. Neste país, quem escolhe os elencos em televisão, são senhores que se juntam à mesa de restaurantes caros, a comer bem e a beber whisky, e que não têm noção das capacidades técnicas dos artistas, lamentou Marta Fernandes.
Vivaça e sem papas na língua, a atriz, que anda em digressão nacional com a peça de teatro Uma empregada dos diabos, onde contracena com Carlos areias, não poupou críticas também à maioria dos programadores culturais do país. as pessoas que estão à frente dos espaços não têm paixão pelo que estão a fazer. São muito poucos os teatros que têm um programador cultural empenhado.
O semblante só se tornou um pouco mais sério e introspetivo, quando se falou de crenças. Sou, cada vez mais, uma mulher de fé. adoro a Nossa Senhora de Fátima, porque é mãe, é mulher, veste-se de branco e é admirada por muita gente. É uma referência, confessou Marta Fernandes, advertindo que já não gosta tanto do Santuário de Fátima, por que é muito pesado e carregado, mas admira a Basílica da Santíssima Trindade, pela paz interior que lhe transmite.
a finalizar a sessão, promovida em parceria com a Liga dos amigos do Museu, a atriz aceitou o desafio de cantar à capela. Escolheu a Chuva, pela beleza da mensagem, e aproveitou para deixar um apelo aos pais e educadores deste país: Uma das lacunas da nossa educação é privarem as crianças de se expressarem pelo canto, mas é quando cantamos que a nossa alma se despe. Por isso, deixem cantar as crianças.