a luta contra o desperdí­cio alimentar começa a ganhar terreno. Nota-se que existe uma maior consciencialização por parte das entidades envolvidas. Não deixar estragar é meio caminho andado para matar a fome
a luta contra o desperdí­cio alimentar começa a ganhar terreno. Nota-se que existe uma maior consciencialização por parte das entidades envolvidas. Não deixar estragar é meio caminho andado para matar a fomeapós a França haver promulgado uma lei, em fevereiro passado, contra o desperdício de comida nos supermercados, obrigando a que os alimentos sejam doados a instituições de solidariedade e bancos alimentares, é agora a Itália que segue no mesmo sentido. Trata-se portanto do segundo país da União Europeia a avançar para que os supermercados passem a doar alimentos que não sejam vendidos, tendo assim as organizações de caridade como destinatários.
a diferença entre a lei dos dois países é que, em França, os supermercados que desperdiçarem comida serão multados, enquanto em Itália a proposta é compensar os negócios que não desperdicem comida. Este incentivo serve paracombater o desperdício de Itália, que se estima atinja o valor de 1200 milhões de euros. O desperdício de alimentos custa ao estado italiano cerca de 12 mil milhões de euros por ano.

Em Portugal, calcula-se que cerca de um milhão de toneladas de alimentos sejam desperdiçados por ano. ainda não há qualquer abordagem legislativa, apesar de a assembleia da República ter declarado o ano de 2016 como o ano nacional de combate ao desperdício alimentar em Portugal.
É de realçar que existem várias organizações que se encarregam da redução do desperdício alimentar como é o caso da Re-Food, do movimento Zero Desperdício e do projeto Fruta Feia. apesar disso ainda há muito a fazer para um aproveitamento mais eficaz no que diz respeito ao desperdício alimentar.

Em relação aos supermercados a atuar em Portugal, para além do projeto Fruta Feia do Pingo Doce, que consiste em aproveitar legumes feios, os chamados vegetais não-normalizados, para fazer produtos próprios, temos outro caso interessante a assinalar. as lojas Lidl têm outro tipo de abordagem. Os produtos que estão a expirar mudam de lugar e são-lhes colocadas etiquetas a alertar para a baixa de preços. O Lidl define uma data limite para a venda de cada artigo, que visa garantir que os clientes possam consumir o artigo com qualidade e em segurança antes termo do respetivo prazo de validade, afirmou fonte da empresa.
Esta metodologia permite aos nossos clientes terem tempo para consumir com confiança e segurança os produtos uma vez levados para casa, e contribui também para a redução do desperdício alimentar em casa, onde se gera a maioria do desperdício. E explica como: Os produtos que se aproximam do limite das respetivas datas de validade são colocados num local devidamente assinalado com uma etiqueta em que se pode ler 30% mais barato, por aproximação da data de validade. Do mesmo modo, as nossas frutas e legumes perecíveis podem ser objeto de uma redução de 50% duas horas antes do fecho das lojas, refere a mesma fonte.

Perante o valor exorbitante do desperdício no nosso país, como é que os portugueses reagem? a Deco fez um estudo recente, no qual foram inquiridos 1. 725 consumidores, tendo este revelado que metade deles admite deitar para o lixo alimentos fora do prazo de validade. É que muitos dos consumidores não fazem a destrinça entre produtos perecíveis e produtos não perecíveis. Ou seja, quando se vê nas embalagens consumir até é diferente de consumir preferencialmente até. No primeiro caso convém seguir à risca, embora, se o produto estiver bem guardado e a embalagem intata, poderá ser consumido alguns dias depois. No segundo caso, o consumo pode ser mais tardio, se conservado em boas condições.

Para avaliarmos da necessidade premente de combater o desperdício alimentar, basta recordar um relatório das Nações Unidas, saído em janeiro de 2015, que aponta para uma projeção de que em 2050 a população mundial rondará os 9 mil milhões de habitantes. Este número significa que dentro de 34 anos será necessário alimentar mais um quarto de população do que aquela que existe nos dias de hoje. Esta previsão de crescimento demográfico e a necessidade de mais alimentos obrigarão ao aumento da produção de alimentos em 70% até 2050, como infere o relatório. Perante esta realidade será bom que todos nós invistamos no aproveitamento, não permitindo qualquer tipo de desperdício, mesmo que nos pareça insignificante.