aos 19 anos aceitou ir trabalhar em Itália, num cabeleireiro de grande qualidade e exigência. atreveu-se numa nova cultura, noutra língua”¦
aos 19 anos aceitou ir trabalhar em Itália, num cabeleireiro de grande qualidade e exigência. atreveu-se numa nova cultura, noutra língua”¦ Marco era ainda um jovem quando decidiu que seria cabeleireiro. Mas, com uma condição: ser muito bom! À sua sensibilidade para o belo associava a sensibilidade para com as pessoas. Importava-se com elas. Na sua pressa de aprender, aceitou propostas desafiantes nos esforços e capacidades que exigiam. aos 19 anos aceitou ir trabalhar em Itália, num cabeleireiro de grande qualidade e exigência. atreveu-se numa nova cultura, noutra língua E outros se seguiram: Roma, Paris, Lisboa. Tornou-se uma estrela. agradecido à vida sempre tão generosa, queria fazer algo mais! Por isso, quando foi convidado para ser formador numa escola profissional, aceitou com o entusiasmo de quem vai iniciar uma viagem há muito desejada. Rapidamente percebeu que o seu papel junto dos alunos teria de ser bem maior do que transmitir-lhes conhecimentos. Encontrou um grupo desmotivado, agarrado a preconceitos e juízos de valor que os impedia de serem valorizadores de si ou de alguém mais. O desrespeito e a crítica destrutiva que usavam para derrubar o colega, criava um clima de conflito e desprazer no grupo. Que fazer? Transmitir valores Foi o que fez! Contudo, as suas reflexões individuais ou em grupo não pareciam ter efeito prático. Um dia, Marco viu anunciada a candidatura a um programa de estágios em Itália para formandos de cursos profissionais. acreditou ser esta uma excelente oportunidade para aqueles jovens experimentarem outros mundos, se questionarem nas suas atitudes e construírem sonhos mais elevados. Desafiou a escola e os seus alunos a candidatarem-se. Pela primeira vez, viu o grupo unir-se como um todo, a organizar-se na entreajuda e a vibrar com algo que beneficiava a todos. E conseguiram! a viagem iniciou-se com um sentimento de conquista e de orgulho conjunto. Marco estava lá, envolvendo, questionando, orientando, supervisionando. Foram três semanas de estágio em cabeleireiros italianos. Mas, foram fundamentalmente três semanas de encontro entre eles, colegas, na descoberta da cultura de outro povo, a conviver com pessoas que os aceitaram e respeitaram nas suas diferenças, nas suas inseguranças e inaptidões. Devagarinho, Marco observava-lhes a aceitação da diferença, os preconceitos a diluírem-se, os horizontes do sonho a rasgarem-se numa identidade maior de cidadãos do mundo, empenhados no todo. Todos, nós, era uma nova atitude que parecia quererem adotar. Regressaram a casa. Na bagagem, traziam um novo mundo, sentindo serem sua parte, de pleno direito, mas também na responsabilidade. Para Marco, este foi o maior sucesso: ajudar a abrir horizontes que desenhariam caminhos novos no olhar e na vida dos alunos que aprendera a estimar, porque decidiu ser próximo.