a presidente da Federação Europeia dos Bancos alimentares alerta para a necessidade do apoio social funcionar de forma mais integrada, com mais voluntariado e menos voluntarismo
a presidente da Federação Europeia dos Bancos alimentares alerta para a necessidade do apoio social funcionar de forma mais integrada, com mais voluntariado e menos voluntarismoHá muito voluntarismo em Portugal. Há muitas pessoas que querem ter a sua resposta social e que por vezes sobrepõem respostas com entidades ou organizações que, à sua volta, fazem o mesmo. Portanto, temos que encarar a solidariedade social e o exercício da solidariedade como algo que tem que se fazer de forma integrada, afirmou em Fátima, esta quinta-feira, 11 de setembro, a presidente Federação Europeia dos Bancos alimentares, Isabel Jonet. Segundo a responsável, o nosso país tem um conjunto de estruturas, a maioria ligadas à Igreja Católica, que dão uma resposta social muito boa e adequada às necessidades da população, mas porque os meios são escassos, há uma necessidade cada vez maior de trabalhar em rede, de partilhar recursos e adotar novas técnicas de gestão e organização. Parece-me que os portugueses querem ver cada vez mais que a sua generosidade é bem utilizada e querem ver transparência naquilo que é feito pelas organizações e pelas instituições de solidariedade social. Há que dar contas para ter a certeza que tudo chega ao seu destino, esclareceu Jonet, após o encerramento do 29º Encontro da Pastoral Social, onde proferiu uma conferência sobre como encorajar os cristãos a manifestar a dimensão social do Evangelho. Recordando que Portugal é um dos países da Europa com maior taxa de pobreza, onde um milhão de pessoas com mais de 65 anos vive com menos de 265 euros por mês, 200 mil pessoas têm apenas uma refeição completa por dia e 35 mil não têm nenhuma refeição diária, a dirigente apelou aos portugueses que sejam uma história de amor que se vive com alegria, praticando o bem. No final da sua intervenção, alertou para a necessidade de se acabar com os profissionais da pobreza, que chegam a transmitir essa forma de vida de geração em geração. Em Portugal há aquilo a que chamamos a transmissão inter-geracional da pobreza e temos que quebrar com essa transmissão. as instituições, por mais assistencialistas que sejam, têm que fazer o acompanhamento e a supervisão, para que se quebrem os ciclos de pobreza. Ou seja, quando se ajuda uma família pobre, deve-se procurar que essa família queira deixar de ser pobre e não encare a assistência como uma forma de vida, adiantou. Em jeito de balanço, José Manuel almeida, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral Social, salientou a riqueza das comunicações e dos debates que fizeram com que os participantes saíssem mais motivados e com maior coragem para enfrentar a realidade.