O desemprego, a necessidade de alimentos, cuidados de saúde e habitação estão a levar os portugueses a sentirem-se revoltados, humilhados e desiludidos, indica um estudo da aMI
O desemprego, a necessidade de alimentos, cuidados de saúde e habitação estão a levar os portugueses a sentirem-se revoltados, humilhados e desiludidos, indica um estudo da aMIO estudo Vivência da pobreza, realizado pela assistência Médica Internacional (aMI), revela que existe uma ligação entre carências socioeconómicas e sentimentos de medo. Falta de bens alimentares, dinheiro, habitação, saúde, educação, emprego, incerteza no futuro e precariedade laboral conduzem as pessoas para vivências onde o medo, a tristeza, e a pena de si próprios são elementos quotidianos, adianta a organização num comunicado divulgado sexta-feira, 28 de junho.

Segundo o trabalho de investigação, a alimentação surge no topo das carências, logo seguida por privações relacionadas com a falta de dinheiro, habitação, saúde e educação. No que concerne à falta de oportunidades, o desemprego surge no centro das preocupações, seguido da incerteza no futuro e da precariedade laboral. O medo, a tristeza, a pena, a impotência, a acomodação, a culpa são os sentimentos dominantes, seguidos pela revolta, vergonha, desilusão e humilhação.

O estudo, realizado entre janeiro e abril de 2012, centrou-se numa amostra de 50 entrevistas aprofundadas a beneficiários da ação social da aMI nos centros Porta amiga de almada, angra do Heroísmo, Cascais, Coimbra, Funchal, Vila Nova de Gaia, Olaias e Porto. Dos entrevistados, 36 por cento são reformados, 20 por cento estudantes, 18 por cento beneficiários de Rendimento Social de Inserção, 18 por cento desempregados e oito por cento trabalhadores por conta de outrem.