O Papa Francisco abordou, perante milhares de alunos e professores de escolas jesuítas, a 7 de junho, o exercício da Política. Foi perentório a afirmar que é «obrigação dos cristãos, que não podem daí lavar as mãos, como Pilatos»
O Papa Francisco abordou, perante milhares de alunos e professores de escolas jesuítas, a 7 de junho, o exercício da Política. Foi perentório a afirmar que é «obrigação dos cristãos, que não podem daí lavar as mãos, como Pilatos»Francisco que, em tão pouco do seu pontificado, não tem parado de nos surpreender, não apenas pela cativante simplicidade, mas pela forma real e concreta como assume e apresenta as suas posições, falou sobre a arte da política. Poucas vezes os responsáveis da Igreja enveredam por este tema, a política, mas o papa, que age frontalmente, define-a assim: a política é a forma mais elevada da caridade, pois ela procura o bem comum. Quão bela e correta é esta interpertação do exercício da política! assim aqueles que nela trabalham seguissem este caminho! Seria algo de maravilhoso e certamente que viveriamos num mundo bem melhor.
Se falamos em política, temos que aludir à crise económica, em grande parte derivada da conceção errónea dos políticos e dos partidos que os apoiam ou nos quais se albergam. O papa Francisco sabe que o momento atual é difícil em todo o mundo e diz que é preciso saber ler a crise que, segundo ele, é uma crise do valor dos seres humanos. Citando o relato sobre a construção da torre de Babel, o Papa destacou que produzir um tijolo era difícil e cada tijolo era um verdadeiro tesouro. Se um tijolo caísse da torre, era uma tragédia; se um homem caísse, nada acontecia. Para ele, a crise atual é a crise da pessoa, que já não conta. Só o dinheiro conta para a sociedade em que vivemos.
Mas passemos à política portuguesa, a tal política para a qual cristãos e todos os cidadãos devemos estar despertos. Vamos abordar um assunto, do qual pouco se tem falado, mas que é importante para percebermos qual foi um dos motivos fundamentais para a atual crise económica e financeira – agora também social devido ao desemprego galopante. Um estudo recente, 25 anos de Portugal Europeu, realizado pela consultora augusto Mateus & associados para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, conclui que a CEE (UE) ajudou o nosso país com 80,9 mil milhões de euros, ou seja, cerca de nove milhões diários, desde 1986 a 2011. O mesmo documento destaca que o valor pode chegar aos 96,7 mil milhões de euros até ao final de 2013, ano em que termina o QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional, o programa de apoio em vigor).
ao fazermos eco dos valores apontados pelo estudo, vem-nos à memória as peripécias da sua aplicação ao longo dos anos. Era suposto que estas verbas fossem aplicadas para robustecer a economia do país para mais tarde, quando Portugal deixasse de receber e tivesse que pagar a sua quota, o país estivesse preparado para o mercado aberto (comum).como é evidente, coube aos decisores políticos essa tarefa, mas infelizmente quando chegamos a 2008 já havia a certeza que a aplicação destas toneladas de dinheiro (fundos estruturais e de coesão) não havia sido a mais correta.
O antigo secretário de Estado dos assuntos Europeus e ex-eurodeputado, Carlos Costa Neves, considera que a execução nacional contribuiu para o desenvolvimento de Portugal, mas há que reconhecer alguns erros cometidos, nomeadamente na aposta excessiva em infraestruturas, principalmente rodoviárias. O atual coordenador do grupo parlamentar do PSD para os assuntos europeus diz que ao nível de aproveitamento dos fundos nem sempre foram definidas as melhores prioridades, houve um investimento não reprodutivo, muitas vezes porque era preciso cumprir prazos ou, pior: ir ao encontro de expectativas eleitorais. Estamos em crer que este depoimento pode consubstanciar o cerne do problema, a realidade é que alguém falhou e agora todos nós estamos a pagar.