a semana passada surgiu um estudo dos Bancos alimentares (FBaCF) e Entreajuda, em parceria com a Universidade Católica (UC), tendo como objetivo conhecer melhor a situação das pessoas apoiadas pelas Instituições de Solidariedade Social
a semana passada surgiu um estudo dos Bancos alimentares (FBaCF) e Entreajuda, em parceria com a Universidade Católica (UC), tendo como objetivo conhecer melhor a situação das pessoas apoiadas pelas Instituições de Solidariedade Social

Se é verdade que devemos ter uma atitude positiva, ou pelo menos não derrotista, perante a crise económica e financeira que se abateu sobre o nosso país, também é necessário não esconder a realidade da situação e tentar, de algum modo, ajudar as pessoas a compreender. Foi exatamente por haverem escamoteado o estado real do país que agora as coisas tornam-se muito mais difíceis para a maior parte dos portugueses. as pessoas não compreendem como foi possível chegar a uma situação de penúria social como aquela com que nos debatemos e grande parte dos atingidos sente uma imensa revolta em relação aos detentores do poder que descuraram os seus deveres, enquanto responsáveis desta nação. Sabemos que sempre houve ricos e pobres, assim continuará, mas cabe aos poderes constituídos fazer o equilíbrio entre uns e outros, o que parece não estar a acontecer.

O estudo daquelas entidades (BaCF, Entreajuda e UC) apontam para o aumento da pobreza, mas sobretudo revelam que os valores de que esta franja da sociedade dispõe é cada vez mais baixa, chegando a por em causa a satisfação das suas necessidades básicas. Nos casos estudados, 82% acham que, atualmente estão mais pobres do que eram. O inquérito foi dirigido a 3. 880 pessoas carenciadas e realizado entre setembro de 2012 e janeiro de 2013, tendo os investigadores feito uma comparação das condições de vida da população pobre apoiada por instituições sociais, em comparação com idêntico estudo realizado em 2010.

Há conclusões deste trabalho que nos devem fazer refletir na gravidade da situação, como por exemplo aquela que indica que 52% dos agregados familiares inquiridos auferem mensalmente menos de um salário mínimo nacional, enquanto perto de um quarto dos mesmos apenas recebem abaixo de 250 euros. Em 32% dos casos, aqueles rendimentos resultam de rendimentos de trabalho, ou seja, são famílias que, apesar da crise, conseguem ter um emprego. É afirmado por 26% dos inquiridos ter tido falta de alimentos ou sentido fome alguns dias por semana, nos seis meses anteriores ao inquérito, 14% dos quais pelo menos um dia por semana. Há ainda outras dificuldades económicas que surgem a par de problemas de isolamento. Neste documento 82% dos inquiridos afirmam sentir-se hoje como pobres (mais 10% do que no último inquérito), 72% afirma ainda sentir-se só muitas vezes ou às vezes e é na família que se encontra a principal – ou quase única – fonte de apoio. Em relação às causas que levam os inquiridos a considerar-se – ou a viver em situação de pobreza – 21% consideram viver mal porque a família sempre foi pobre, uma espécie de fatalismo do destino que torna a miséria uma inevitabilidade. a segunda razão é atribuída ao desemprego (20%), enquanto em terceiro lugar, com 19% vem o facto de se ganhar pouco ou de auferir uma pensão de valor bem abaixo das necessidades.

Convém sublinhar que este é um estudo apenas relativo às pessoas apoiadas pelas IPSS, uma parte significativa, mas longe da realidade que constitui o todo. Há milhentas razões que levam ao desnível gritante que os mais pobres enfrentam e que tarda a merecer a atenção dos responsáveis. as causas estão a montante, ou seja, não há políticas adequadas para criar riqueza e assim a distribuir mais equitativamente. O combate ao desemprego é, neste momento, uma das prioridades mais urgentes, mas lamentavelmente concluímos que foi mais fácil destruir os postos de trabalho do que é agora criar novos. Foi anunciado pelo governo um plano de apoio às empresas, mas agora que a maior parte delas já faliram, e as poucas que persistem não conseguem vender os seus produtos – porque as pessoas não têm poder de compra – para que vai servir o crédito?