Um inquérito realizado aos utentes das instituições de solidariedade revela que existem pessoas que já passaram um dia sem comer devido à falta de dinheiro
Um inquérito realizado aos utentes das instituições de solidariedade revela que existem pessoas que já passaram um dia sem comer devido à falta de dinheiroOitenta e seis por cento dos cidadãos que recorrem atualmente às instituições sociais fazem-no para resolver carências alimentares, indica um inquérito realizado pelo Banco alimentar contra a fome e a Universidade Católica Portuguesa. No âmbito deste estudo, 39 por cento dos inquiridos admitiu já ter passado um dia inteiro sem ingerir qualquer alimento, por falta de dinheiro e 82 por cento respondeu que hoje se sentem pobres.
Entre os que procuraram apoio numa Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), 52 por cento fá-lo há menos de dois anos, o que vem indicar, segundo o inquérito, que muitos utentes destas instituições são relativamente recentes, denotando possivelmente, novas situações de carência. amândio Alves, responsável da Confederação Nacional das associações de Família, afirmou que os dados revelados no inquérito confirmam os relatos que chegam à organização.
a situação não é nova, a estatística é que é nova e vem confirmar aquilo que há muito suspeitávamos face aos relatos, aos lamentos, às queixas e aos pedidos que nos têm chegado, referiu, em declarações à agência Lusa. É nas famílias que se sente a crise económica e são as famílias que estão a assegurar isso, com os pais a ajudar os filhos, ou vice-versa, e os avós a ajudarem os netos, explicou. Não descurando o apoio concedido pelas instituições de solidariedade, o responsável referiu que é a instituição família que permite que não haja situações muito mais graves. Têm sido acautelados os interesses das mais variadas corporações, agora o interesse das famílias, que são a base da sociedade portuguesa, não têm sido acautelados devidamente, disse. amândio Alves recordou que nos últimos tempos, muitos dos apoios dirigidos às famílias, sobretudo na área fiscal, têm sido retirados, como por exemplo, o abono de família, as deduções à coleta no IRS e o aumento dos impostos sobre a habitação. O estudo, publicado na última quarta-feira, 29 de maio, abrangeu mais de 2200 mil utentes provenientes de 242 entidades particulares de solidariedade social de todo o país, entre 2012 e este ano.