a crise financeira vivida em Portugal pode levar ao aumento da mendicidade entre adolescentes, acredita Matilde Sirgado, coordenadora do Projeto Rua do Instituto de apoio à Criança
a crise financeira vivida em Portugal pode levar ao aumento da mendicidade entre adolescentes, acredita Matilde Sirgado, coordenadora do Projeto Rua do Instituto de apoio à Criança a sétima conferência sobre Crianças desaparecidas e exploradas sexualmente, organizada pelo Instituto de apoio à Criança (IaC), decorre esta sexta-feira, 24 de maio, na assembleia da República, no âmbito do Dia internacional das crianças desaparecidas,assinalado no próximo sábado, 25 de maio. Durante esta iniciativa será lançada uma brochura de sensibilização para a mendicidade forçada. Segundo Matilde Sirgado, coordenadora do Projeto Rua do IaC, esta é uma problemática com tendência para aumentar, de forma ligeira, que não se deve só à pobreza de valores, mas também à pobreza económica.
Em declarações à agência Lusa, esta responsável afirmou que tem sido detetado, desde 2012, um maior movimento de jovens na rua, adolescentes entre os 14 e os 16 anos que não estão propriamente a dormir na rua, mas que utilizam ou são explorados na rua, estão em risco, alguns em perigo mesmo. Matilde Sirgado explicou que podem estar a praticar a mendicidade, a prostituição e o tráfico de estupefacientes.
Dados da Polícia Judiciária (PJ) divulgados a propósito do Dia internacional da criança desaparecida, indicam que em 2012 foram realizadas, em média, seis participações por dia de crianças e jovens desaparecidos, que totalizaram 2. 366 casos, menos 226 face ao ano anterior. Do total de desaparecimentos, 1. 677 eram jovens entre os 15 e os 18 anos, 514 eram adolescentes de 13 e 14 anos, 90 tinham idades entre os 10 e os 12 anos e 85 entre os zero e os nove anos.
Veríssimo Milhazes, diretor da Unidade de Informação e Investigação Criminal da PJ, afirmou à mesma fonte que o grupo dos 15/18 anos apresenta uma taxa de reincidência muito significativa e deu o exemplo do caso de dois jovens que, entre 2010 e 2012, fugiram 33 e 36 vezes. Este grupo também apresenta um elevado número de regressos voluntários, sendo a sexta-feira o dia em que se regista o maior número de desaparecimentos.
Veríssimo Milhazes lembrou a importância de comunicar o desaparecimento às autoridades logo nas primeiras horas, porque pode estar associado a um crime. Quando as crianças desaparecem de forma involuntária, o desaparecimento pode estar associado a vários tipos de crime, como abusos sexuais, homicídios, raptos, lenocínio, tráfico de pessoas. Se não atuamos nas primeiras 24 horas podemos pôr em causa tudo o resto, frisou. O total de pessoas desaparecidas baixou nove por cento em 2012, comparativamente a 2011, ano em que já tinha baixado 6,7 por cento em relação a 2010.