Quando o Papa Bento propôs à Igreja um «ano de Fé» para refletir e rezar, a muitos veio com naturalidade a ideia de procurar uma definição da fé; mas a fé não se define, a fé escreve-se com a vida
Quando o Papa Bento propôs à Igreja um «ano de Fé» para refletir e rezar, a muitos veio com naturalidade a ideia de procurar uma definição da fé; mas a fé não se define, a fé escreve-se com a vida Foi isso o que tive a oportunidade de ver e experimentar neste 13 de maio em Fátima. Um mar de gente, proveniente de lugares e países diferentes, de culturas, línguas e cores diversas que através de sinais e gestos descreviam a sua fé atraídos pela mensagem de Maria: Quero que aqui se construa uma capela para rezar pelos pecadores. Mais do que uma igreja de pedra, vi uma igreja de vidas humanas: grupos de peregrinos, pessoas singulares, jovens casais com filhos pequenos, doentes, curiosos, jovens com um único desejo de fixar os olhos na imagem da Virgem Maria, colocada no exterior da Capelinha das aparições. Fé e amor demonstrados nos gestos comuns do caminhar, do terço na mão, da vela acesa, do lenço branco, até ao gesto mais comovente do peregrinar de joelhos, entre lágrimas e esforço em volta do lugar das aparições com a confiança segura de serem escutados e consolados. Gestos e sinais cheios de afeto, de confiança, de súplica, de abandono ao Coração Imaculado de Maria, Rainha da Paz. Unidos a estes, vi gestos de solidariedade, de voluntariado, de respeito recíproco, do deixar passar do rezar uns pelos outros. a fé não define, vive-se deste modo: na confiança no Céu, certos de obter uma graça para si ou para outros, na solidariedade/acolhimento recíproco, na oração e canto coral feito em diversas línguas que se misturam num coro novo, na vontade de ser melhores, mais generosos com Deus e com os outros; levantar juntos a chama acesa, acenar com o lenço branco, desfiar as contas do rosário, cantar e rezar juntos e em silêncio, bater as palmas com a alegria no coração e as lágrimas nos olhos. Foi isto o que vi em Fátima: a fé narrada em gestos e propósitos. Obrigado, Maria, por nos fazeres viver assim a fé no teu Filho, Jesus. *Superior Provincial dos Missionários da Consolata em Itália