Nada acontece por acaso, embora por vezes tal possamos pensar.com a renúncia histórica de Bento XVI, abriu-se o caminho para novo responsável da Igreja católica e esta escolheu um Papa que está a surpreender
Nada acontece por acaso, embora por vezes tal possamos pensar.com a renúncia histórica de Bento XVI, abriu-se o caminho para novo responsável da Igreja católica e esta escolheu um Papa que está a surpreenderO ano de 2013 ficará na história da Igreja católica graças à renúncia de Bento XVI, não apenas pelo fato em si, mas também pela forma como se concretizou. O agora papa emérito afirmou que se sentia cansado e sem forças para continuar à frente dos destinos da Igreja, pois entendia que as suas qualidades físicas já não eram suficientes. Optou por se retirar para fazer uma vida de oração. a 13 de Março deste ano é conhecido o novo Papa, que adota o nome de Francisco, eleito em conclave. Mário Bergoglio de seu nome, nascido na argentina e provindo da Ordem dos Jesuítas (é o primeiro Papa oriundo da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola), uma das mais prestigiadas dentro da Igreja e mesmo no mundo.
O arcebispo de Buenos aires sempre revelou grande humildade, quer recusando mordomias – morando num apartamento onde cozinhava as suas refeições, em detrimento do Paço Episcopal que não quis – e nas suas deslocações fazia-o nos transportes públicos, como o comum dos cidadãos argentinos. Um homem que foi engenheiro antes de ser padre e que adora futebol e tango; que viveu na Europa, em mais do que um país, além de ter estudado no Chile e na argentina. Não é o que se costuma chamar um rato de biblioteca e menos ainda um rato de sacristia. Teve namoradas, segundo se diz. Mario Bergoglio é o exemplo do homem comum.
ao escolher o nome Francisco, o santo do despojamento e dos pobres, o novo Papa já fez uma opção, um programa de ação: vai continuar, agora à frente da Igreja, o seu trabalho em prole dos mais desfavorecidos, combatendo também o que é nefasto dentro e fora da Igreja. Desde que iniciou o seu pontificado não tem deixado de surpreender. Logo no primeiro contato com os profissionais da comunicação social vincou a sua interpretação da Igreja para que não restassem dúvidas: a Igreja, efetivamente, embora sendo certamente também uma instituição humana, histórica, com tudo o que isso abrange, não tem uma natureza política, mas essencialmente espiritual: é o Povo de Deus. Conjugando a escolha do nome e a sua perceção do que deve ser a Igreja, quer dizer que vamos ter uma Igreja mais dedicada aos problemas sociais da humanidade.
Na primeira homilia que marcou o início do seu pontificado, o Papa disse: Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos “guardiães” da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo!. O líder da Igreja católica apelou ainda à intensificação do diálogo com o Islão e os não-crentes e definiu o combate à pobreza como uma das suas prioridades. ainda há muitos pobres no mundo, que são prioritários, mas há também uma outra pobreza: a pobreza espiritual de hoje em dia, que afeta também gravemente os países considerados mais ricos, declarou.
Conhecido pela sua humildade, o papa Francisco que já dispensou a cruz de ouro, os sapatos vermelhos e o carro oficial de luxo, têm-nos surpreendido, quase diariamente, com novos gestos de aproximação ao quotidiano das pessoas, o que revela a sua perceção do mundo e especialmente dos injustiçados e desfavorecidos. Pela sua ação começa a vislumbrar-se uma era de esperança na renovação da Igreja, a mestra e mãe que vai à procura dos seus filhos, onde quer que eles estejam, sem distinguir cores, posição social ou ideológica. Há uma luz de amor que começa a brilhar, assim todos o compreendam e aceitem que o Ressuscitado veio para dar a vida a todos e cada um de nós.