O aumento da esperança de vida das pessoas é uma realidade, mas não está a ser devidamente equacionada.com o aumento de vida de homens e mulheres surgiram novos desafios à sociedade que urge aceitar e resolver
O aumento da esperança de vida das pessoas é uma realidade, mas não está a ser devidamente equacionada.com o aumento de vida de homens e mulheres surgiram novos desafios à sociedade que urge aceitar e resolver

Todos os estudos e relatórios conhecidos a nível europeu apontam para uma esperança de vida superior à dos últimos anos e em crescendo. atualmente, estima-se em 75 anos a esperança de vida para os homens e 82 para mulheres. Mas o aumento da esperança de vida não foi acompanhado pelas transformações necessárias que tal implica, não só a nível social, como individual. O que equivale a dizer que viver mais tempo não é sinónimo de viver com qualidade e muito menos, com mais qualidade, como seria suposto acontecer. a nossa sociedade está mais voltada para o consumo de que para os valores da vida. Isso terá que ser mais ponderado por quem detém qualquer tipo de poder.

O fato de as pessoas viverem mais tempo não pode ser empecilho para ninguém. É algo positivo que deve merecer o tratamento correto, sendo certo que continuam a existir grandes desigualdades na esperança de vida entre os grupos socioeconómicos. Por exemplo: no aspeto de saúde continua a prevalecer o poder económico, ou seja, quem não tiver o necessário para atacar a doença, tem menos probabilidade de uma longa vida. Está provado que, na generalidade dos países da União Europeia, as doenças crónicas têm vindo a aumentar a prevalência, nomeadamente a asma, a diabetes e a demência. Por outro lado, será ainda de ter em conta que, tanto no caso dos homens como das mulheres, as pessoas com níveis de educação mais elevados irão provavelmente viver mais tempo.

Imprensa, rádio e televisão dão conta, diariamente, de novos desafios com que se debatem os mais idosos, especialmente a solidão, pobreza e doença. Mas para aqueles que juntam estas três situações deve ser algo indescritível que os pode levar a situações extremas, por vontade própria ou não, como morrerem isolados, sem assistência alguma, ou mesmo a encontrar no suicídio a saída para os seus problemas. a sociedade e os governantes têm obrigação de olhar para os idosos de uma forma mais humana. É sua e nossa obrigação! Nesta situação não pode haver omissões; navegamos todos para o fim da caminhada, quer sejamos novos ou velhos.

ainda recentemente surgiu um estudo da revista Proteste, da DECO (associação de consumidores), em que era revelado que dois, em cada três idosos, que vivem em lares têm um rendimento inferior à mensalidade da instituição, tendo de recorrer a poupanças ou à família para conseguir pagar. Este estudo da DECO, que decorreu em março de 2012 em Portugal, na Bélgica, na Espanha e em Itália, envolveu uma amostra da população entre os 50 e os 65 anos, tendo como destinatários familiares de utentes de lares que acompanharam o processo de institucionalização. Contudo, advertimos que sendo já um enorme problema, apenas está instalado somente entre os que ainda obtiveram um lugar numa instituição de acolhimento. E quantos milhares é que não o conseguem?

O conceito de velhos com que a sociedade apelida e trata estas pessoas não deve prevalecer, mesmo na atual situação que o país atravessa. Os mais idosos têm um capital importante de saber que pode ser aproveitado e nunca menosprezado, como acontece com frequência. Quando estas pessoas com mais idade são chamadas a prestar qualquer serviço à comunidade ou aos outros, fazem-no com amor e é preciso que tal seja reconhecido. Cabe aqui também uma chamada para a envolvência geracional. São inúmeras as pessoas de idade que estão a ajudar – é o termo correto – sobretudo filhos e netos que têm dificuldades, deixando para trás as suas próprias carências. Todo o ser humano deve ter direito a um fim feliz, independentemente do que foi a sua opção de vida. No nascer e morrer, o Criador quis que fossem todos iguais.