Embora Portugal seja um país onde existem grandes desigualdades na repartição dos rendimentos, «os portugueses revelam uma fraca aversão» ao fenómeno, consideram os membros do Grupo Economia e Sociedade
Embora Portugal seja um país onde existem grandes desigualdades na repartição dos rendimentos, «os portugueses revelam uma fraca aversão» ao fenómeno, consideram os membros do Grupo Economia e SociedadePortugal é, entre os países da UE-15 ou no conjunto mais alargado dos países da OCDE, um dos casos em que se verifica maior desigualdade na repartição do rendimento, evidenciando também indicadores de incidência da pobreza mais elevados, alertam responsáveis do Grupo Economia e Sociedade, através de um documento publicado esta semana. Para os membros deste grupo, seria de esperar que, perante este cenário, a desigualdade merecesse um maior escrutínio por parte da consciência coletiva em geral, por parte dos partidos políticos e por parte de outras forças políticas. Contudo, referem, vem de longa data o facto de os portugueses revelarem uma fraca aversão à desigualdade, e existe uma aceitação passiva e resignada das desigualdades que se vão firmando e reproduzindo, considerando-as como fatalidade ou até como fator de progresso. Para os responsáveis pelo movimento, o preconceito mais generalizado que explica a excessiva tolerância dos portugueses em relação à desigualdade é o de que este é um fenómeno natural e decorre da necessidade de premiar os mais capazes e de alimentar a economia com estímulos de ordem material. Nem sempre o mérito individual está na base do enriquecimento pessoal, pode ler-se no documento. a desigualdade é um obstáculo ao crescimento da economia e ao desenvolvimento socioeconómico, e constitui uma ameaça à coesão social e à democracia. O fenómeno prejudica ainda o potencial desenvolvimento económico de um país ou região, uma vez que afeta a procura, tanto de bens de consumo como de investimento, prejudicando a produção de bens e serviços para o mercado interno, refere o mesmo documento. Segundo o Grupo Economia e Sociedade, o baixo montante do salário mínimo e a sua fraca atualização nos últimos anos, constitui um fator de agravamento da desigualdade e, em algumas situações familiares, um risco agravado de pobreza. Quanto às medidas de austeridade, estas têm sido conduzidas de tal modo que são já patentes alguns dos seus efeitos no agravamento da desigualdade na repartição da riqueza e do rendimento, tanto pela via do aumento do desemprego, da precariedade do vínculo laboral e dos baixos salários. Há limites para a desigualdade que não devem ser excedidos por razões éticas, políticas e económicas, sublinham.