Conferência Episcopal do Quénia pede às autoridades que investiguem a relação entre o conflito tribal e os possí­veis interesses das companhias estrangeiras que exploram os terrenos agrícolas na região
Conferência Episcopal do Quénia pede às autoridades que investiguem a relação entre o conflito tribal e os possí­veis interesses das companhias estrangeiras que exploram os terrenos agrícolas na região Estamos tristes e emocionados com os ataques e as mortes na província do rio Tana, mas estamos ainda mais surpreendidos pelo facto de, apesar da presença massiva de agentes das forças de segurança e dos encontros para a paz e reconciliação, nada ter mudado, afirmaram os bispos do Quénia, depois de uma visita à região, que tem sido cenário nos últimos meses de confrontos entre tribos rivais. O conflito já provocou perto de 200 mortos. Numa nota enviada à agência Misna, a Comissão Justiça e Paz da Conferência Episcopal do Quénia, sublinha que a violência gera violência e que é urgente travar a espiral de vinganças, antes que estas atinjam toda a região. a província do rio Tana tem sido palco de confrontos entre as comunidades Pokoma – na sua maioria agricultores – e Orma, constituída por pastores nómadas. No centro da rivalidade está o controlo pelas pastagens e pelos pontos de água. Nos últimos cinco meses as hostilidades agravaram-se, suspeitando-se que estejam a ser alimentadas por políticos locais e por companhias estrangeiras, que pretendem salvaguardar os seus interesses na exploração de terrenos agrícolas na região. Os bispos pedem, por isso, uma investigação séria a esta alegada relação, para que se levem à justiça todos os que estão envolvidos nos homicídios e na destruição dos bens.