a associação Portuguesa de famílias Numerosas manifestou-se contra as questões levantadas pelo recente relatório do FMI. Um documento, que segundo a secretária geral da associação, apresenta contradições e mostra realidades falsas
a associação Portuguesa de famílias Numerosas manifestou-se contra as questões levantadas pelo recente relatório do FMI. Um documento, que segundo a secretária geral da associação, apresenta contradições e mostra realidades falsasEste país não é para ter filhos? Relatório do FMI: Estaremos a falar do mesmo?’. Este é o título de um comunicado da associação Portuguesa de Famílias Numerosas (aPFN), divulgado terça-feira, 15 de janeiro. Neste documento, a associação alerta para as contradições que existem no relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a reforma do Estado relativamente aos benefícios pecuniários aos agregados familiares em Portugal. Segundo o relatório do FMI, divulgado na última semana, as políticas destinadas a aumentar o número de nascimentos têm pouco, se algum, impacto. No documento que apresenta propostas para cortar quatro mil milhões de euros na despesa do Estado, o FMI refere a França e Suécia como sendo dois países com benefícios financeiros bastante generosos e resultados limitados. No caso concreto dos apoios dados às famílias francesas, pode ler-se no estudo que embora algum impacto dessas políticas tenha tido demonstração empírica, este é pequeno e de duração temporária. Portanto, se Portugal quer envolver-se em políticas para aumentar a fertilidade, seria bom que visasse outras direções, diferentes de benefícios em dinheiro para famílias. Neste contexto, a associação portuguesa faz uma comparação do valor pago às famílias em abonos, em Portugal, Suécia e França, sendo que em território nacional só recebem as famílias com rendimento de referência mensal abaixo de 628,83 euros e o valor varia com a idade e o escalão. a Suécia chega a conceder abonos no valor de 941 euros a quem tenha cinco filhos, valor que em Portugal se fica pelos 175 euros (618 em França). ana Cid, secretária geral da aPFN, referiu que a realidade relatada no documento é um engano, com certeza. O que se insinua ali é óbvio que é falso, disse, citada pela agência Lusa. O relatório diz duas coisas totalmente contraditórias. Por um lado, assume-se que Portugal é dos países com menores apoios à família, mas simultaneamente sugerem-se uma série de cortes nesta área, destacou. Em declarações à mesma fonte, ana Cid falou do caso da Suécia onde a saúde é gratuita até aos 20 anos, quando em Portugal é até aos 12. Na maioria dos países da Europa, o abono de família é para todas as crianças. Em Portugal, é apenas para as mais desfavorecidas. Na Suécia há grandes apoios à habitação. Em Portugal, a definição do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) não tem em conta o número de dependentes: não estamos a falar em benefícios às famílias, mas sim em equidade. Uma família maior precisa de uma casa maior, isso é uma necessidade, não é um luxo, criticou. ana Cid lamentou ainda que o documento do FMI não indique um caminho sério nem apresente nenhuma proposta ao problema da redução da natalidade, que afeta todo o crescimento económico e toda a capacidade de existência de estado social em Portugal.