“Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras. Falai-nos e aquecei os nossos corações”, lemos na aclamação do Evangelho do 3º domingo de Páscoa
“Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras. Falai-nos e aquecei os nossos corações”, lemos na aclamação do Evangelho do 3º domingo de Páscoa as Sagradas Escrituras têm em si o dom de falar ao coração dos homens de todos os tempos. Tantos sistemas de comunicação evoluem e transformam-se com o passar dos anos. a Palavra de Deus permanece a única fonte de certeza que pode guiar a humanidade pelos caminhos da compreensão e da confiança. Envelhecem os sistemas políticos, mudam os conhecimentos sociais e Círculo, mas Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e para sempre. a caraterizar todo o crescimento da vida tem de ser a atitude de conversão da parte dos seres humanos. Converter-se significa conhecer-se a si próprio a partir da luz de Cristo ressuscitado e da sua palavra. Feito para viver da glória divina, quando o homem vive só de pão’ material, quer dizer, de tudo aquilo que fica aquém ou fora do espírito, o coração humano soçobra no vazio que enfastia. Depois de 33 anos à procura de realização materialista, agostinho de Hipona compreendeu, finalmente, a verdade e gritou: Fizeste-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração sente-se vazio até se encher de vós. Caminhando horas com Jesus sem o reconhecerem, os dois discípulos de Emaús confiavam depois um ao outro: Não nos ardia cá dentro o coração quando Jesus nos falava no caminho e nos desvendava as Escrituras?. as sociedades dos nossos dias assemelham-se a corpos envelhecidos pelas inanidades do materialismo. Fome enorme de ter, de possuir, mas pouco desejo de partilhar. E, aqui e ali, focos de esperança alimentados pela dedicação e o dar aos mais pobres e frágeis. Palavreado retumbante que pouco ou nada resolve de um lado e, do outro, sentido pleno de bondade que do amor a Deus se expande no amor ao próximo. No arrependimento e no perdão nasce uma família nova onde todos se podem sentir irmãos e irmãs. Vinda de Deus, só a Deus voltando, pode a humanidade vir a conhecer-se a si própria, as suas fragilidades e os seus recursos. Conversão nos nossos dias significa também que os cristãos devem tornar-se, cada vez mais, fermento verdadeiro da sociedade em que vivem, nela injetando a maneira de viver a vida que Cristo ressuscitado nos deixou. Há quem diga: Quem nos dará a felicidade?, como pergunta o salmo responsorial de hoje. E logo vem a resposta: O Senhor fará brilhar sobre nós a luz do seu rosto!.