“Uma intervenção de pacificação árabe e internacional não violenta, com a participação de voluntários locais” seria a solução para o problema sírio, na opinião do prior do mosteiro Mâr Musa
“Uma intervenção de pacificação árabe e internacional não violenta, com a participação de voluntários locais” seria a solução para o problema sírio, na opinião do prior do mosteiro Mâr MusaO religioso jesuíta propõe um corpo de 50 mil «acompanhadores não violentos, desarmados, provenientes de todo o mundo. a via negocial proposta pelo fundador do mosteiro sírio de Mâr Mûsa, padre Paulo Dall’Oglio, poderá ser o caminho para tentar resolver a crise do país conduzido por Bashar al assad. a proposta é de acompanhadores e não de negociadores, porque na Síria são tidos, por muitos, como forças avançadas de invasões armadas e como espiões movidos pela hostilidade, explica o jesuíta que está na Síria há 30 anos. Deveriam ser enviados pela própria Síria, sob proposta das Nações Unidas, acompanhadores pertencentes à Cruz Vermelha e ao Crescente Vermelho, escuteiros, membros da comunidade de Santo Egídio, membros de organizações não violentas, expoentes da sociedade civil planetária, para tentar amadurecer a democracia da Síria. Dall’Oglio não vê a necessidade de forças armadas internacionais, que são tidas como forças golpistas de ocupação, movidas por interesses económicos e estratégicos. a violência criminal pode e deve ser controlada pela polícia de Estado em colaboração com a população local e com a fiscalização da imprensa livre e dos acompanhadores. ao traçar o quadro da situação síria, o jesuíta fala de um território dividido em zonas, em que predomina o movimento de oposição e zonas em que o Estado mantém o controlo total e até é claramente apoiado pela população. O equilíbrio das forças está contrabalançado. Embora com dificuldades, os serviços essenciais funcionam. Uma grande parte da população sente-se incapaz de tomar partido e mantém-se neutral. Por outro lado, à parte as filiações religiosas, ainda se mantém a adesão, embora abalada, ao poder constituído, também devido a um forte sentimento de unidade nacional dos sírios e à recusa de muitos em deixar-se emprisonar apenas na identidade confessional. Na opinião do jesuíta, da parte dos cristãos, diversas autoridades eclesiásticas colocam-se claramente do lado do governo. Esta posição tende porém a dar lugar a uma posição de neutralidade. E acrescenta: Há muitos jovens, cristãos e muçulmanos, que não se poupam a esforços para que se desenvolva na Síria uma democracia digna deste nome. Este é um facto novo do conflito, explica o jesuíta. O desejo de emancipação dos jovens é um elemento de desequilíbrio dos equilíbrios conflituosos tradicionais.