« a história do nosso tempo, sem esperança e sem futuro, marcada por dramas, divisões e desumanidades, parece cada vez mais poder ser lida como a história da ausência do Verbo de Deus da terra dos homens»
« a história do nosso tempo, sem esperança e sem futuro, marcada por dramas, divisões e desumanidades, parece cada vez mais poder ser lida como a história da ausência do Verbo de Deus da terra dos homens»«Pouco a pouco, o Natal tem sido vítima de uma certa erosão no seu conteúdo ou tem visto a sua identidade substancial ser substituída por alguns elementos de carácter derivado ou mesmo acidental, dos quais o mais visível tem sido o consumismo, criticou o bispo de Coimbra na Missa do dia da Solenidade do Natal do Senhor. Virgílio antunes considera que nesta situação, «não admira, portanto, que o espírito do natal cristão, tal como muitas outras dimensões importantes da realidade humana tenham perdido o seu lugar dentro do panorama do que marca as pessoas.
O prelado defende que esta fuga a Deus ultrapassa uma mudança nos costumes de Natal. É grave a rejeição de Deus por parte dos homens, já que significa também «uma perda do sentido do homem e do respeito que lhe é devido. a história da humanidade passou a ser «a história da política, da economia, da sociologia, ou seja, mais uma história das circunstâncias e condições em que vive o homem e não a história do próprio homem «nos seus valores, nas suas alegrias e esperanças, na sua realização enquanto ser criado para ser feliz.
aos fiéis, o bispo da diocese de Coimbra salientou que «esta mentalidade e este modo de ser e de estar minou os fundamentos da cultura humana e atingiu inclusivamente a fé cristã e a vida da própria Igreja. a humanidade e a comunidade cristã tornou-se «muito débil nas suas convicções, nos seus valores, influenciada pelo «espírito da cultura vigente, que não teme a Deus nem respeita o homem. O lugar de Jesus Cristo na vida dos cristãos baptizados passou a ser «ocupado por uma cultura, por vezes, contrária à fé, por valores alheios aos veiculados pela verdade do Evangelho e por práticas de vida que são autênticos contra-testemunhos.
O Natal deve ser este momento de encontro e de voltar ao espírito de Natal. «as nossas famílias, a nossa sociedade, a pessoa humana não se salvam, não se realizam, nem são felizes sem o amor que no Natal aprendemos e que é encontro, dádiva, solidariedade, fraternidade, defendeu o antigo reitor do Santuário de Fátima. E assinalou: «Sem espírito de natal podem salvar-se políticas, economias, direitos, privilégios, mas não se salva a pessoa digna, feliz, que se sente sujeito do seu presente e do seu futuro.