Partir é a marca da missão. Ir além das fronteiras pessoais e geográficas, estar aberto à mudança e à novidade
Partir é a marca da missão. Ir além das fronteiras pessoais e geográficas, estar aberto à mudança e à novidadeO meu primeiro campo de missão, onde passei sete anos, após os quais regressei a Portugal foi Moçambique, conta o irmão Carlos Margato, de 44 anos, natural de Santiago de Litém, Pombal. “Nem sempre é fácil largar um país, um povo e cultura, que se aprendeu a amar e a sentir como próprios, explica o missionário da Consolata. Chegou a hora de partir de novo. a missão abriu-me as portas do Brasil. É aqui que me encontro há três anos. Salvador da Baía, no nordeste brasileiro, foi a primeira proposta. a missão é fértil em surpresas e fui desviado para Cascavel, no Paraná. Gente nova, cultura diferente, tudo diverso! a novidade gera receios e algum isolamento. Tive a sensação de estar deslocado. O centro de animação missionária, antigo seminário de Cascavel, é uma referência para quantos nutrem amizade e carinho pelos missionários da Consolata. Bem depressa me dei conta do quanto somos queridos por aquela gente, quão generosos são e quanto anseiam por ver aquela casa povoada de seminaristas. Para alimentar este desejo, um grupo de sete teólogos estrangeiros, provenientes do seminário da Consolata de São Paulo, passou ali um tempo de aprendizagem e aperfeiçoa­mento da língua portuguesa. ainda saboreava eu esta bela experiência, em terras do Paraná, já me chamavam para o Centro de animação Missionária de São Paulo. Depois de experimentar, em Cascavel, o que significa ser acolhido, fui desafiado a acolher. Neste centro de referência para os jovens, experimentamos que, apesar de muito numerosos em São Paulo, nem sempre é fácil contactá-los e motivá-los. Bem se lançam as redes, mas muitas vezes voltam vazias. Enfrentamos o desafio de não desanimar e confiar no dono da Messe. Em São Paulo, não tenho a oportunidade de correr o país, de conhecer outras paragens e outras formas culturais que o Brasil oferece.como casa de hospedagem, sector em que estou mais empenhado, tenho a possibilidade de contactar com variadas expressões da Igreja brasileira. a todos procuro acolher com o máximo de simpatia e, ao mesmo tempo, dar-lhes a conhecer a missão. É uma maneira de ser missionário na própria casa, de forma simples e um pouco silenciosa. Torna-se expressão de fraternidade e de testemunho para as diferentes pessoas que me procuram, trabalhando para a auto-sustentação. Três anos de Brasil, não permitiram envolver-me na missão de fronteira, nem experimentar situações precárias, nem tão pouco aventuras dignas de grandes relatos. Vivo a missão na medida em que me abro ao mundo e com ele partilho a minha fé e o modo de estar na Igreja. Sinto-me realizado como irmão religioso missionário. Posso gritar aos sete ventos que a missão sempre vale a pena. Mais do que nun­ca ela é urgente.