Faltam três dias para as celebrações aniversarias das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria. as estradas enchem-se de centenas e centenas de peregrinos
Faltam três dias para as celebrações aniversarias das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria. as estradas enchem-se de centenas e centenas de peregrinosCom o aproximar o aproximar do dia 13 a pequena vila da Caranguejeira torna-se ainda mais pequena para acolher os peregrinos vindos do norte do país. Há vários dias que está tudo pronto. a Cáritas paroquial ajuda na distribuição dos espaços do centro Paroquial. Por esta altura, e com tantos pedidos, até as salas de catequese estão já todas ocupadas. as cerca de duas centenas de colchões já esgotaram. Contudo, aqui ao lado, nas tendas da Ordem de Malta, o cenário é outro. Este ano estamos a atender menos pessoas, refere Manuel Vilaça, massagista da Ordem. Hoje atendemos cerca de 70 pessoas, enquanto o ano passado, no mesmo dia, a esta hora já tínhamos atendido cerca de duzentas. Para o chefe dos 15 elementos que constituem a equipa de serviço na Caranguejeira, Ricardo Jardim,Os peregrinos vêm mais acompanhados, mais preparados. Vêm cada vez mais em grupos organizados, e alguns até trazem os próprios enfermeiros, massagistas, bombeiros, explica.
Na hora de recuperar forças
São 19h00, no salão paroquial da Caranguejeira são horas de jantar. O grupo do Movimento da Mensagem de Fátima de Figueiró Santiago (amarante) deixa-o repleto. Enquanto cá fora os fogões da cozinha improvisada se começam a desligar, lá dentro, num ambiente calmo, organizado, bem disposto, os tabuleiros vão-se sucedendo em série. O arroz com peixe, couve lombarda, salada, e a fruta vão saciando a e recuperando as forças dos 154 peregrinos. a acompanhá-los desde amarante está uma equipa de apoio constituída por 33 elementos: 2 enfermeiros, 2 podologistas, cozinheiros, bombeiros de Vila Meã, e outros voluntários, explica o responsável Fernando Silva, um dos pioneiros nas peregrinações a Fátima.comecei há 24 anos, sem qualquer apoio.com o tempo o grupo foi aumentando, e tivemos de organizar as coisas de maneira diferente.começámos a criar estruturas, conta. Fernando Silva é também Servita do Santuário, algo que lhe permite ter outro conhecimento da realidade.
Da centena e meia de peregrinos, 50% vem pela primeira vez. Todos os dias têm missa. Cada dia celebra um padre diferente.como os peregrinos vêm de várias paróquias (dos concelhos de Rio Tinto, Matosinhos, Lousada, Felgueiras, amarante, Fafe, Celorico de Basto, Guimarães, etc), cada dia é um padre que vem celebrar connosco. 105 euros, é quanto paga cada peregrino pela assistência prestada, revela este responsável. Saímos de Figueiró Santiago dia 5 e até dia 12 está tudo incluído neste valor.
a pão e água até Fátima
No meio do grupo encontro a Da Conceição. Há seis anos que vai à Cova da Iria. Em pé tem na mão apenas um pão que vai comendo, sem mais nada. Pergunto-lhe se não vai jantar como os outros peregrinos. Responde, que só pão e água. E não sou a única, acrescenta, explicando que desde que iniciou a caminhada (3a feira, dia 5) só se alimenta de pão (de milho, de preferência) e água, e as forças não lhe faltam. Isto é promessa. É preciso muita coragem. Às vezes choramos, queixamo-nos, rimos Precisamos de fazer sacrifício. É um modo de agradecer a Nossa Senhora o que me deu durante o ano, salienta, com ar feliz.
Tirar férias para trabalhar
São agora 19h30. O bar da igreja começa a servir os cafés. Os festeiros aproveitam para fazer alguns trocos para a festa grande da padroeira, no próximo mês. Dez minutos depois o altifalante pede a atenção de todos os peregrinos.como esta é a última etapa da já longa viagem, é hora de fazer o agradecimento aos membros da equipa de apoio, lembrando que o seu trabalho não é mais que o reconhecimento a Deus por tudo o que Ele nos deu, senão serão vazias as nossa obras, refere a voz do representante dos peregrinos. No final ecoa para o exterior um aplauso caloroso que acompanha a entrega de uma lembrança. Um por um, da cozinheira ao enfermeiro, cada voluntário da equipa de apoio recebe uma rosa e uma salva de palmas. De lágrimas nos olhos cada elemento recebe e agradece o reconhecimento. É um momento emocionante. Sucedem-se os discursos e os cânticos à Virgem Maria. Vítor Teixeira é um dos voluntáriosde há vários anos. Esta peregrinação é como uma vida. Divertimo-nos, chateamo-nos, cansamo-nos, mas no outro dia levantamo-nos com outra força porque ao olhar para cada peregrino e para o seu sofrimento isso dá-nos força e motivação para os ajudar. Este é um trabalho de voluntariado. alguns tiram férias nestes dias para ajudar. E quanto à recompensa, essa é Nossa Senhora que nos dá. Vale a pena, porque compensa ajudar os peregrinos. Quanto mais ajudamos mais nos apetece ajudar.
Dar de si ao outro
20h00. as luzes da igreja paroquial já estão acesas. Toca o telemóvel do Sr Fernando, responsável do grupo. É o padre a avisar que está quase a chegar. Depois de saciar a fome do corpo, os peregrinos preparam-se agora para o alimento espiritual.
O ambiente é agora mais calmo, e por isso é tempo de recuperar forças para a equipa da Ordem de Malta. O grupo começa a juntar-se fora das tendas do hospital de campanha. Um elemento da equipa da Cáritas paroquial vem avisar que o jantar já está pronto. Depois de jantar esperamos atender ainda alguns peregrinos. O ano passado estivemos até quase à meia-noite, refere o responsável.
Carolina, é um dos elementos mais jovens do corpo de voluntários da Ordem de Malta. Pergunta-me para que jornal é, e eu aproveito para saber o que trouxe até aqui uma jovem de vinte e poucos anos. Conta que foi a curiosidade. Via-os e quis saber o que faziam. Sou de Fátima, tal como muitas pessoas não dava o devido valor à realidade do Santuário. Bancária de profissão, Carolina já tinha experiencia de voluntariado noutras instituições. Pediu por isso para ser voluntaria na Ordem de Malta. É importante dar-mos um pouco de nós aos outros.
agradeço a simpatia com que me receberam acompanho-os à entrada do salão paroquial.como vê, estafadinhos e todos bem-dispostos, diz-me o chefe da equipa da Ordem de Malta, com ar satisfeito, enquanto caminhamos e nos cruzamos com alguns peregrinos.