Baseado no Diário do Minho, de Braga, e L’adige, de Trento, Itália, o estudo descobre “uma representação do imigrante brasileiro homogeneizada”, em que os indivíduos não aparecem como pessoas singulares
Baseado no Diário do Minho, de Braga, e L’adige, de Trento, Itália, o estudo descobre “uma representação do imigrante brasileiro homogeneizada”, em que os indivíduos não aparecem como pessoas singulares a investigadora brasileira Maira Ribeiro defendeu, num estudo realizado na Universidade do Minho, que a comunicação social regional, em Portugal e na Europa, tende a tratar o imigrante brasileiro de uma forma estereotipada, próxima da discriminação, refere a agência Lusa. Na sua tese de mestrado na área das Ciências da Comunicação, a autora analisou notícias saídas em 2007, abrangendo 1329 imigrantes.
Segundo a investigadora, as notícias trataram a mulher imigrante brasileira como minoria, representando-a de forma negativa e ligada maioritariamente às temáticas da prostituição e criminalidade. Maira Ribeiro acrescenta que os homens constituíram a grande maioria das presenças e em grande parte directamente ligados a representação enquanto grupo ocupacional, os desportistas.
a investigação pretendeu verificar como e quando o imigrante brasileiro foi noticia no jornalismo na imprensa local durante o ano de 2007, nos dois diários. Maira Ribeiro concluiu, ainda, que o destaque dado ao imigrante brasileiro na primeira página foi, quase sempre, nas secções de Desporto e Casos de Policia. Durante a análise dos dados, constatámos que não diferem do que actualmente tem sido debatido no meio científico sobre a representação da imigração brasileira na comunicação social, fazendo com que os jornais locais, mesmo que em escala inferior, mantenham o alinhamento no tipo de tratamento dispensado ao imigrante brasileiro.
Os imigrantes são representados, segundo a investigadora, com um estatuto mais baixo, consequentemente, de menor credibilidade para falar de assuntos sérios de política, economia ou direito. O facto contribui para aumentar o silêncio dos imigrantes nos média e na sociedade em geral. Maira Ribeiro frisa que a referência nominal à nacionalidade funciona como factor de separação dos indivíduos, mesmo sabendo que a tendência dos média é identificar e catalogar.
a investigadora esclarece que não pretende culpar ou criticar os jornalistas, mas sublinha que é necessário eliminar esses comportamentos velados, esses vícios de escrita, muitas vezes enraizados, que passam ao discurso comum. Reconhece, a propósito, que a questão do tratamento dos imigrantes na comunicação social pode ser tarefa muito difícil no quotidiano das redacções. a dificuldade está no facto em que estas se encontram cada vez mais assustadas e buscando o socialmente correcto, muitas vezes sem saber exactamente o que isso significa.