Quem viajar pelo centro de Nairobi hoje, 7 de Janeiro, facilmente se iludirá que a crise Política já está superada. Não é bem assim
Quem viajar pelo centro de Nairobi hoje, 7 de Janeiro, facilmente se iludirá que a crise Política já está superada. Não é bem assimNairobi pareceu-me hoje o que sempre foi. Uma cidade desorganizada, onde veículos e peões lutam pelo direito de usar as estradas, mas onde, afinal, cada um consegue chegar ao seu destino.
as notícias que se ouvem porém são bem pouco encorajadoras. O número de mortos na zona das cidades de Kisumu e Eldoret ainda não parou de crescer. algumas estradas ainda permanecem cortadas e dum momento para o outro pode rebentar o caos.
Ontem, Domingo, a atmosfera no Santuário da Consolata de Nairobi era invulgar e misteriosa. O espaço sagrado esteve cheio a transbordar durante todas as Missas. Causou-me admiração o facto de as pessoas permanecerem em conversa no adro depois das celebrações. Era como se sentissem uma necessidade especial de permanecerem juntas e de se encorajarem mutuamente. Parecia que se viam, pela primeira vez, depois duma longa ausência.
Note-se que os paroquianos do Santuário da Consolata pertencem a todas as etnias do país. No entanto não se notavam grupos por etnia, mas tão-somente grupos de paroquianos preocupados com o rumo que o país está a levar. O meu voto é que esta mistura de tribos e raças para a oração seja sinal de entendimento a todos os demais níveis da vida social.
Para amanhã, 8 de Janeiro, a oposição promete um grande comício no centro de Nairobi com a proclamação de Raila Odinga como presidente da república. Se tal vier a acontecer o país terá dado um passo quase irreversível em direcção à ruína. Espero que estas sejam apenas declarações demagógicas e que como hoje também amanhã Nairobi se mantenha na normalidade e na legalidade.

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