Guerra e paz! Um jogo em que os países africanos gastaram, nos últimos 15 anos, mais de 300 mil milhões de euros em armas de morte e devastação
Guerra e paz! Um jogo em que os países africanos gastaram, nos últimos 15 anos, mais de 300 mil milhões de euros em armas de morte e devastaçãoEstou a escrever esta crónica a 13 de Outubro. Celebra-se o 90º aniversário das aparições de Fátima, memória de uma mensagem de paz. Tenho seguido de perto a polémica sobre os custos da nova Igreja da Santíssima Trindade. Segundo se diz, dariam pão a tantas bocas.
Setenta milhões de euros serviram para criar um ambiente de paz, conforto e silêncio onde milhões de peregrinos poderão ao longo do tempo encontrar-se consigo mesmos e com a alegria de viver. Diz-se e eu não contesto. Pessoalmente, encontro a paz e alegria de que necessito, debaixo dum pinheiro numa tarde de verão com as cigarras a cantar e uma ribeira de água a correr. Mas eu não sou milhões de peregrinos! Sou só eu. acho muito bem que se faça provisão para eles também.
alarguemos o discurso. a notícia dos 70 milhões de euros chamou a minha atenção para outtra notícia veiculada nestes dias pelo Jornal Standard, de Nairobi. Falava dos cerca de 300 mil milhões de euros – este número peca por defeito – que corresponderiam a mais de três mil Igrejas da Santíssima Trindade. Foi quanto gastaram os países africanos, nos últimos 15 anos , em armas de morte e devastação.
Uma despesa não justifica a outra. ambas podem ser julgadas pelos frutos que produzem: paz uma, guerra a outra. Os 23 conflitos que nos últimos 15 anos assolaram a África consumiram todo o dinheiro da ajuda externa oferecida pelos países que lhes vendem as armas. Esses milhares de milhões de euros são o que falta para combater a SIDa, a tuberculose, a malária e a má nutrição reinantes neste martirizado continente.
Os dados estatísticos foram compilados pela Oxfam Internacional uma agência não governamental inglesa. Sendo que as armas usadas nas guerras africanas – as kalashnilov por exemplo – são produzidas fora da África, bastaria regular o comércio das armas para salvar a África do flagelo das guerras, conclui a Oxfam.
Não basta regular o comércio das armas. É preciso acabar com este jogo em que os países ricos dão com uma mão ajudas para o desenvolvimento da África e com a outra retiram esse mesmo dinheiro em troca de armas de morte. Deste modo travam o desenvolvimento que inicialmente queriam promover.
Rainha da Paz, rogai por nós!

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