Ilustração: David Oliveira | Texto: Susana Teles

Habituamo-nos a ver a professora Ana embrenhada em tarefas minuciosas, que requerem muita paciência e atenção. Como a revisão de inúmeras disciplinas, para o que é necessário rever todo o processo bem como o programa, a fim de confirmar se tudo está em conformidade. E isso não a assusta. Dá trabalho? Sim, mas isso não a demove. É preciso fazer e naturalmente dá-se início à tarefa, mesmo sem vislumbre de chegar ao fim, sabendo, no entanto, que a meta será atingida. Normalmente, a Ana também tem em mãos outras tarefas profissionais, como dar aulas, orientar estágios e outras atividades mais administrativas, nas quais também coloca todo o seu entusiasmo e energia. É, por isso, sempre animador conversar com a Ana, pelo sentido prático e otimista que tem de analisar as situações. Dá-nos conforto e ajuda-nos a colocar os problemas em perspetiva, com serenidade, bondade e esperança.

Por vezes, no entanto, vemos a Ana a falar só. Bom, é sinal de que algo a está a incomodar e invariavelmente é porque alguém da sua equipa lhe disse “aguardo instruções”. Uma equipa que coordena há já seis anos e que desde o início procura, como boa professora que é, explicar, com detalhe, as ações a desenvolver, para que as suas colaboradoras se sintam seguras do que será necessário realizar. E depois poderem ganhar autonomia, assumirem a responsabilidade das atividades que desenvolvem e poderem apresentar novas soluções ou alterações, se for o caso. Não se poupa nunca a voltar a esclarecer, a refletir com a sua equipa e a procurar em conjunto novas respostas. Mas volta e meia ficam paradas a aguardar instruções. No entanto, não é por se depararem com casos novos. E isso é o que deixa a Ana perplexa.

Esta situação faz-me lembrar a nossa vida de cristãos. A nossa missão é clara: sermos discípulos de Jesus Cristo, tendo como prioridade máxima o amor, o qual devemos expressar no nosso dia-a-dia. Mas não raras vezes também ficamos parados a “aguardar instruções”. Parece que estamos a começar e não sabemos o que fazer nem para onde ir. Parece que necessitamos que o Senhor venha ter connosco e que nos indique o que devemos fazer. Não será clara e simples a nossa missão? Não será possível avançarmos, aventurarmo-nos por novas estradas, criarmos oportunidades? Ou mesmo retomar as nossas ações de todos os dias, repeti-las com o mesmo amor e dedicação? Afinal, o amor é simples: é doação e entrega aos outros, é encontro, é compaixão, é partilha, é alegria, é bondade, é esperança, é paciência.

 

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