O Conselho de Segurança das Nações Unidas debate militares de Israel a alvos do Irão no dia 13 junho 2025. Foto ONU Loey Felipe

O Conselho de Segurança da ONU esteve reunido terça-feira, dia 31 de março, para reagir à morte de três soldados da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, vítimas de ataques israelitas nos dois dias anteriores, mas o ministro da Defesa de Israel garante que as suas tropas vão ocupar para sempre uma extensa faixa no Sul daquele país. No Vaticano, o embaixador de Israel foi chamado para ouvir o cardeal Parolin condenar a intervenção policial que impediu o patriarca de Jerusalém de rezar a missa de Domingo de Ramos na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.

Os ataques das forças armadas de Israel que já ocupam uma parte substancial do Sul do Líbano fizeram mais 11 mortos no domingo 29 de março, entre os quais dois paramédicos. No dia anterior, sábado, três jornalistas foram mortos quando Israel atacou um veículo perto da vila de Jezzine (distrito de Tiro, no sul do Líbano). Entre os mortos estavam, de acordo com o jornal Muslim News, o correspondente da Al-Manar TV, Ali Shuaib, e a repórter da Al-Mayadeen, Fatima Fatouni, além de um técnico dos media. O exército israelita confirmou a morte de Shuaib, mas não se pronunciou sobre as mortes dos outros profissionais, adianta o Muslim News.

De acordo com as autoridades libanesas, desde a invasão do país por parte das forças armadas israelitas a 2 de março, já foram mortas mais de 1.100 pessoas e feridas mais de 3.300. Mais de 1,2 milhão de libaneses – cerca de um quinto da população – foram forçados a deixar o Sul do país para fugir à guerra.

Fazendo um balanço otimista da invasão do Líbano e da guerra contra o Hezbollah, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, divulgou no domingo uma declaração em vídeo em que afirma: “No final da operação, as Forças Armadas de Israel vão estabelecer-se numa zona de segurança dentro do Líbano, uma linha defensiva contra mísseis antitanque, e manterão o controle de segurança sobre toda a área até ao rio Litani.” O ministro acrescentou que nessa zona todas as casas e edifícios serão destruídos e os libaneses serão impedidos de regressar. O território em questão corresponde a cerca de um sexto da área total do Líbano.

Também as autoridades de saúde do Hamas divulgaram este domingo que desde o cessar-fogo em Gaza (outubro de 2025) os ataques israelitas a alvos naquele território já causaram mais de 700 mortes. Por outro lado, a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irão, lançada em 28 de fevereiro, matou, segundo as autoridades iranianas, mais de 1.300 pessoas.

Vaticano protesta e Telavive aprova lei antidemocrática

Na segunda-feira, o Vaticano convocou o embaixador de Israel junto da Santa Sé, Yaron Sideman, para lhe transmitir a condenação do “lamentável incidente” ocorrido no Domingo de Ramos quando a polícia israelita impediu o cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, e o padre Francesco Ielpo, custódio da Terra Santa, de se dirigirem à Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém para nela celebrarem missa.

À espera do embaixador estavam o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, e o arcebispo Paul R. Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais. Durante o encontro, segundo comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, “foi tomada boa nota do acordo alcançado entre o Patriarcado Latino de Jerusalém e as autoridades locais a respeito da participação nas liturgias do Tríduo Pascal na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.” Participação que não será alvo de obstáculos por parte das autoridades israelitas.

Também nesta segunda-feira, 30 de março, em Telavive, o Parlamento aprovou a lei que impõe a pena de morte apenas para os palestinianos condenados por tribunais militares por ataques letais, concretizando assim uma das principais promessas dos aliados de extrema-direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A lei, aprovada pelo Knesset por 62 votos contra 48 e após quase 12 horas de debate, representa uma vitória para a extrema-direita, que lutava há anos para aumentar as penas para palestinos condenados por participarem em ataques que fizeram vítimas mortais. De acordo com o jornal Jewish News, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, votou a favor da medida.

A aprovação da lei gerou ampla oposição local, incluindo por parte de autoridades judiciais e de grupos judaicos progressistas. Na Europa, os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, França, Itália e Reino Unido divulgaram a 29 de março uma declaração conjunta em que se manifestavam “profundamente preocupados” com o facto de o projeto de lei “ampliar significativamente as possibilidades de impor a pena de morte em Israel”.

Na sua declaração, os ministros europeus alertavam para o “carácter discriminatório” da lei que apenas se aplica a palestinos, isentando da pena de morte qualquer israelita que tenha assassinado voluntariamente palestinos ou mesmo concidadãos e concluíam: “A aprovação deste projeto de lei coloca em risco o compromisso de Israel com relação aos princípios democráticos.”

Judeus americanos contra a guerra

Uma sondagem realizada em meados de março pela empresa Mellman Group revelou que 55 por cento dos judeus americanos opõem-se à ação militar dos EUA contra o Irão. No outro extremo estão apenas 32 por cento que a apoiam. Os resultados da sondagem mostram que entre os judeus estabelecidos nos Estados Unidos da América a reprovação da guerra contra o Irão é menor do que a existente entre os cidadãos americanos adultos, grupo no qual a oposição à guerra sobe para os 61 por cento.

Como já vem sendo uma constante das sondagens realizadas no último mês sobre esta questão, também os judeus americanos que votam democrata são em muito maior número contra a guerra do que aqueles que votam republicano.

Contudo, a expressão da opinião pública americana não parece ter qualquer influência imediata sobre o Presidente Trump que nesta terça, 31 de março, voltou a criticar duramente os aliados europeus por causa da sua recusa em envolverem-se mais profundamente na guerra contra o Irão. Trump acusou a França de não permitir que os aviões de guerra americanos sobrevoassem seu território e desafiou o Reino Unido a “ir buscar seu próprio petróleo”, reabrindo à força o Estreito de Ormuz.

Reagindo a estas declarações, o Governo francês disse estar “surpreendido”, mas não desmentiu o conteúdo da crítica. Contudo, uma fonte militar francesa não identificada afirmou ao New York Times que “a França não fechou o seu espaço aéreo a aviões americanos”.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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