Josephine Kwenga é uma religiosa da congregação das Irmãs de São José de Tarbes que se dedica à agricultura sustentável em aldeias quenianas e que trabalha lado a lado com camponeses. “No início, muitos agricultores ficavam surpreendidos por ver uma religiosa com o hábito a segurar uma enxada, mas rapidamente a surpresa se transformava em respeito”, disse a religiosa ao Vatican News, o portal de informação da Santa Sé.
Na região onde a irmã Josephine está ao serviço, a pobreza de alguns agricultores era tão acentuada que estes alugavam ferramentas simples para trabalhar nos campos de outras pessoas, acabando por gastar metade do seu salário diário. Para resolver este problema, a irmã Josephine e outras religiosas promoveram um programa de agricultura sustentável. Após aderirem a esta iniciativa, os agricultores pobres “adquiriram as próprias ferramentas” e “começaram a cultivar os seus alimentos, produzindo também um excedente para a venda”. Atualmente, “alguns deles têm até cabras leiteiras”, destacou a religiosa, frisando que aquilo que “começou como sobrevivência tornou-se dignidade, esperança e um futuro melhor”, o que lhe dá “alegria e confiança”.

A irmã desenvolve o seu trabalho inspirada em duas encíclicas do Papa Francisco – a Laudato Si’ e a Fratelli Tutti. A primeira é dedicada ao cuidado do planeta e a segunda aborda a fraternidade e a amizade social. É neste contexto que a religiosa promove métodos modernos de irrigação, conservação do solo e agricultura resiliente ao clima com práticas biológicas tradicionais. “Trata-se de preservar o que dá vida à tradição, descartando o que é prejudicial e utilizando a tecnologia de formas que respeitem a criação e a dignidade do agricultor”, explicou.
Em 2023, a irmã Josephine recebeu um certificado de reconhecimento da Fundação dos Jornalistas e Escritores das Nações Unidas pelo trabalho na agricultura sustentável. A religiosa sonha promover a agricultura biológica e regenerativa, para que as gerações futuras herdem terrenos de qualidade. “Quando as famílias têm segurança alimentar, há paz nos lares e harmonia nas comunidades”, disse, sublinhando que “muitas guerras, incluindo globais, resultam da escassez de recursos”.
A irmã tem uma vasta formação académica em áreas como a educação, o desenvolvimento sustentável e a gestão de projetos e afirma que é importante dar resposta aos desafios que surgem. “Uma pessoa pode estar preparada para dar aulas, mas pode ser chamada para a agricultura ou outra área. O que importa é responder aos sinais dos tempos com fé e generosidade. É aqui que se encontra a realização.”
Além do esforço físico, o trabalho agrícola envolve lidar com as limitações dos recursos, a seca e as más colheitas, problemas que partilha com a sua comunidade. “Não carrego o fardo sozinha. Levo as minhas lutas para a minha comunidade religiosa. Oramos juntas pelo nosso ministério e elaboramos estratégias de resposta.”
A religiosa refere que o trabalho da sua congregação não se manifesta em “discursos em voz alta”, mas sim “em ações coerentes que restauram a dignidade, constroem as comunidades e cuidam da criação”. A irmã sublinha que “a transformação nem sempre vem das posições de autoridade, mas da compaixão e do serviço”. Levar a cabo este trabalho, sendo uma religiosa, é uma mais-valia. “Quando nos unimos à vida religiosa, trabalhamos com abertura e disponibilidade para responder às necessidades da missão.”
A relação entre as irmãs e os agricultores é positiva. “Os agricultores dizem que quando as religiosas os ensinam a ser grandes agricultores, eles sentem-se encorajados porque isso demonstra que o trabalho é digno aos olhos de Deus e da Igreja.” A irmã Josephine sonha com um futuro em que a agricultura não seja vista como um trabalho pouco valorizado, mas sim como uma vocação digna. “Todos comemos alimentos; a agricultura sustenta todos. Quero que os agricultores abracem o seu papel com confiança e orgulho e que a Igreja esteja em estreito contacto com eles, não apenas como voz, mas como parceira em ação.”








