Momento da Jornada Nacional da Juventude em Benguela, Angola, em novembro de 2022. Foto © JMJ Lisboa 2023

Os bispos de Angola querem que a visita do Papa Leão XIV ao país, entre 18 e 21 de Abril, seja uma “ocasião propícia” para curar as “feridas internas”: “Não podemos acolher o ‘Mensageiro da Paz’ com o coração cheio de ódio, rancores, divisões e contendas”, lê-se numa nota da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), divulgada nesta terça-feira, 3 de Março.

“A reconciliação deve começar em cada coração, em cada família e em cada associação cívica, desportiva, profissional ou partidária”, acrescenta o documento enviado às redacções, incluindo ao 7MARGENS.

Na nota, que designa o Papa Leão como “peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz”, os bispos acrescentam que os católicos do país também se devem preparar “estudando os documentos” de Leão XIV, “para que as suas palavras [aos angolanos] não sejam apenas sons passageiros, mas orientações de vida que tudo devem transformar e renovar”.

Nos seus dias angolanos, a pretexto dos 50 anos da independência de Angola e dos 450 anos da fundação da cidade de São Paulo da Assunção de Luanda, o Papa Leão estará na capital e Saurimo (Nordeste), além de se deslocar ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Muxima, 120 quilómetros a sudeste de Luanda. Antes de Angola, Leão visitará a Argélia (13-15 de Abril) e os Camarões (15-18) e antes de regressar ao Vaticano passará pela Guiné Equatorial (21-23). [Ver 7MARGENS]

Na nota pastoral, os bispos pedem a “generosidade de todos” para apoiar a logística necessária, lembrando que “nenhuma contribuição é pequena”. E pedem voluntários para ajudar, já que “ser voluntário numa ocasião destas é escrever o seu nome nos anais da história de Angola”.

A viagem começará pelo território (actual Argélia) onde, há 1600 anos, nasceu, viveu e morreu Agostinho de Hipona (354-430) e onde, na época, havia na região importantes comunidades cristãs. Mas, na África subsariana, lembram os bispos, Angola “foi o primeiro país a acolher o Evangelho e onde aconteceram os primeiros batismos cristãos”, a ter “o primeiro bispo negro da história no princípio do século XVI”, e foi também de Angola que “chegou a Roma, em 1608, o primeiro embaixador da África Subsariana junto da Santa Sé”.

A nota destaca o “facto relevante” do “crescimento do Cristianismo em Angola”, que leva os bispos a afirmar que a presença do Papa encoraja à “promoção da esperança, da reconciliação e da paz para todos”, a desejar um “futuro melhor” e a apelar “ao espírito de sinodalidade” que traduza a importância de caminhar “na mesma direcção e com os mesmos objetivos”.

Dirigindo-se aos jovens, os bispos angolanos recordam a mensagem do Papa João Paulo II, que esteve no país em Junho de 1992: “Acreditai que o futuro será bom para vós, se vós, com a ajuda dos vossos pais e dos vossos mestres, o preparardes bem. Preparar o futuro é aprender bem agora, é ter um coração bom, é gostar de ir falar com Jesus na Igreja.”

Além de João Paulo II, também o Papa Bento XVI esteve no país, em 2009, numa visita que ficou marcada por declarações polémicas sobre o uso do preservativo e pela defesa que Bento XVI fez do respeito pelos direitos humanos e do combate à corrupção.

Texto redigido por António Marujo/jornal 7Margens, ao abrigo de uma parceria com a Fátima Missionária.

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