Manifestação a pedir um fim imediato dos bombardeamentos contra o Irão, em Junho de 2025. Foto © Diane Krauthamer/Wikimedia Commons

“A situação é grave e está a piorar a cada dia. Uma guerra prolongada não beneficia ninguém e não beneficiará ninguém, sobretudo numa região já assolada por muitos conflitos” afirmou, em entrevista à agência católica Fides, o arcebispo Eugene Martin Nugent, núncio apostólico da Santa Sé no Kuwait, Catar e Bahrein. Nugent juntava a sua às vozes do Papa, dos bispos norte-americanos e de outros purpurados da região agora atingida pelos bombardeamentos americano-israelitas ao Irão e a consequente resposta deste.

Aquele representante da Igreja Católica, entrevistado segunda-feira, 2 de março, confessou: “Estamos todos um tanto chocados com o que está a acontecer. Tínhamos esperança de que o diálogo e as negociações em curso dessem frutos. Ficámos verdadeiramente surpresos quando a guerra eclodiu a 28 de fevereiro.” Perante esta nova situação o diplomata garante manter “contacto com as autoridades e embaixadores, para os incentivar a usar todos os meios possíveis para pôr fim a esta guerra”, embora reconhecendo que “infelizmente, uma vez iniciada uma guerra, ninguém sabe quando ela terminará”.

Nugent valorizou a boa receção que “as palavras de Leão XIV [no Ângelus do domingo 1 de março] tiveram junto dos responsáveis de outras religiões”. O Papa afirmou nesse momento de oração: “Dirijo às partes envolvidas o apelo sincero para que assumam a responsabilidade moral de parar a espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável. (…) A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças mútuas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte, mas apenas através de um diálogo razoável, autêntico e responsável” [ver 7MARGENS].

Também o cardeal Dominique Mathieu, arcebispo latino de Isfahan, a diocese que abrange todo o Irão (onde haverá pouco mais de 10.000 católicos de todos os três ritos – caldeu, arménio e latino), tornou pública uma declaração em que afirma: “Que as armas cessem! Que os corações experimentem serenamente a paz e a justiça, como Deus deseja para seus filhos!”

Por sua vez, o portal de notícias Vatican News divulgou declarações recolhidas junto do vigário apostólico do Vicariato da Arábia do Norte, Aldo Berardi, comunicando que “missas pela paz estavam a ser celebradas em todas as paróquias do Vicariato, incluindo a Co-Catedral da Cidade do Kuwait e a Basílica Menor de Nossa Senhora da Arábia em Ahmadi, a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário no Qatar e a Catedral do Bahrein.” O Vicariato cobre quatro países – Bahrein, Kuwait, Catar e Arábia Saudita – em que residem mais de 2,5 milhões de católicos, muitos dos quais são imigrantes.

No outro lado do mundo, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Paul S. Coakley, arcebispo de Oklahoma City, disse, no domingo 1 de março: “Os meus irmãos bispos e eu próprio unimos as nossas vozes à do Papa e dirigimos um apelo sincero a todas as partes envolvidas para que a diplomacia recupere o papel que deve ter”, pois “o crescente conflito ameaça transformar-se numa guerra regional mais ampla.”

No comunicado de ontem, Coakley, exortou “todas as nações, organizações internacionais e parceiros comprometidos com a paz” a “envidarem todos os esforços para evitar uma escalada ainda maior”. E terminou pedindo “o fim da espiral de violência e o retorno ao diálogo diplomático multilateral que busque defender o bem-estar dos povos que anseiam por uma existência pacífica fundada na justiça”.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *