O momento em que Donald Trump ratificou formalmente a Carta do Conselho da Paz, em Davos, na Suíça. Foto © The White House

Depois de ter apelado à Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e ao Governo italiano para que revejam o seu envolvimento no Conselho da Paz criado por Donald Trump, a rede internacional Padres contra o Genocídio (Preti contro il Genocidio) voltou a intervir. Este movimento internacional reúne 2.200 sacerdotes de 58 países, além de 23 bispos, vários arcebispos e dois cardeais, e tem-se mobilizado contra as ações militares em Gaza. Agora, enviou uma carta ao presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

Nessa missiva, é citado o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, que descreve o Conselho da Paz como uma iniciativa que “parece ter como objetivo principal proteger os interesses das grandes potências, sem um reconhecimento real do povo palestiniano e dos seus direitos”. A carta recorda que este responsável caracterizou o Conselho da Paz” como um “projeto colonialista, imposto de fora e desconectado da realidade vivida pelos mais afetados”. Os signatários referem que as preocupações deste cardeal vão ao encontro daquilo que já foi manifestado por comunidades, sociedade civil e trabalhadores humanitários: “o Conselho da Paz replica padrões de dominação em vez de promover justiça, reconciliação ou proteção”.

Para os Padres contra o Genocídio, este cenário “levanta questões profundas sobre a compatibilidade do Conselho da Paz com a missão” de instituições como o Banco Mundial. Os religiosos recordam que um dos propósitos do Banco Mundial é “garantir que o desenvolvimento beneficie todos os povos”, algo que pressupõe a “participação significativa das comunidades afetadas”. Os signatários referem que o chamado Conselho da Paz, apesar de ter este nome, “está associado a ações e orientações políticas que – direta ou indiretamente – permitem ou legitimam a violência contra os palestinianos”. Os religiosos acrescentam que a direção deste organismo “carece de transparência” e que o “seu processo decisório exclui os mais afetados”.

Os subscritores alertam para os riscos que podem estar envolvidos. “Para uma instituição da estatura global do Banco Mundial, conferir credibilidade a tal órgão representa o risco de normalizar práticas que minam os fundamentos da paz.” Os signatários consideram que mesmo uma “participação bem-intencionada” contribui para reforçar “uma estrutura que exclui os palestinianos e perpetua uma lógica colonial”.

Por isso, os Padres contra o Genocídio pedem ao Banco Mundial para “suspender a participação” no chamado Conselho da Paz. Solicitam ainda que a instituição reafirme “publicamente o seu compromisso com a proteção das populações em risco” e que dialogue “diretamente com a sociedade civil, líderes religiosos e comunidades afetadas para garantir que as parcerias reflitam os mais altos padrões éticos”. Os padres que desejem fazer parte desta rede internacional podem proceder à sua inscrição online.

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