James Bhola Lengarin, Superior Geral dos Missionários da Consolata

O dia 16 de fevereiro de 2026 não é apenas uma data no calendário, mas um momento de memória viva. Faz agora 100 anos que São José Allamano – fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata – concluiu o seu percurso terreno, deixando à Igreja o dom de um carisma que continua a gerar vida. A sua história começou em Turim, entre o Santuário de Nossa Senhora da Consolata e o seu trabalho com jovens sacerdotes. Aí, na oração diária e na escuta do povo, recebeu um apelo inesperado: fundar uma família missionária capaz de levar o Evangelho além-fronteiras, sobretudo ao continente africano.

Esta intuição, nascida no silêncio e na fidelidade, assumiu uma forma concreta. À data da sua morte, o Instituto Missionário da Consolata contava com 177 missionários em cinco países. Eram homens que aprendiam novas línguas, exploravam culturas desconhecidas e construíam relações de confiança. A missão não era um projeto teórico, mas uma viagem de sacrifício, criatividade e inculturação do Evangelho.

Hoje, um século depois, os Missionários da Consolata são aproximadamente 920 e estão presentes em 33 países. A sua história entrelaça-se com cidades e aldeias, desertos e metrópoles, comunidades jovens e Igrejas consolidadas. A missão é complexa e rica: envolve diálogo inter-religioso, projetos de desenvolvimento, comunicação digital e iniciativas nas áreas da educação e da saúde. Os desafios são muitos – sustentabilidade, instabilidade política, riscos ambientais e diferenças culturais – mas cada dificuldade é também um convite ao crescimento.

Os frutos da missão medem-se não apenas em números, mas em rostos: educação de crianças e jovens; apoio a famílias desfavorecidas e a povos indígenas; e formação de líderes de comunidades cristãs. São histórias de esperança que mostram como o Evangelho, quando vivido com humildade e paixão, se torna uma força transformadora.

O centenário não é um marco, mas um novo começo. É um tempo para fortalecer a formação, promover projetos sustentáveis, partilhar a missão com sinceridade e construir pontes com outras religiões e culturas. É um convite para renovar a coragem e a criatividade que inspiraram José Allamano. O seu legado continua a caminhar nas mãos e nos corações daqueles que hoje escolhem ser Consolata no mundo.