A localidade estava ali representada, “em peso”, indiferente à chuva intensa e ao aviso de tempestade. Familiares, vizinhos e amigos, iam-se aglomerando à entrada da igreja, aproveitando para trocar cumprimentos e partilhar memórias sobre a Francisquinha.
No interior da igreja, os arranjos florais que rodeavam o altar e o grande cartaz com a fotografia da Francisquinha, no seu sorriso de sempre, anunciavam festa! Festa de alguém que buscou no altar a força para os dias, e que fez questão de ir a esse mesmo altar agradecer os seus 100 anos de vida!
Francisquinha chegou! Guarda-chuvas multiplicaram-se a fazer um corredor entre o carro e a cadeira de rodas. Foi assim, ao colo do filho, que Francisquinha foi acolhida numa orquestra de palmas sentidas para aquela senhora que desde há oito anos não conseguia andar, mas que não perdera a beleza do sorriso.
A orquestra, o coro, o traje festivo da família, a ornamentação da igreja, tudo revelava o quanto importante a Francisquinha era para a família. E o número de vizinhos e amigos, confirmava a estima que a Francisquinha conquistou à sua volta.
No momento da ação de graças, Moisés, o filho mais novo, representando a família, iniciou a oração, anunciando:
– Hoje, alguns amigos e familiares disseram-me: “Moisés, devias fazer um poema à tua mãe”. E tinham razão! A minha, a nossa mãe, merece um poema!
Hoje, olhando esta grande senhora, rodeada de todos os seus filhos, noras, genro, netos e bisnetos, olhando a comunidade aqui presente e a que se reuniu à volta dos preparativos desta homenagem, conhecendo a dádiva que é a história da minha mãe, testemunhando o seu amor em todos os dias, a sua ternura para com todos, a alegria que vive e distribui, posso afirmar que ela é o verdadeiro poema! Ela, a minha mãe, é um poema de amor!
As palmas ecoaram efusivas numa manifestação emocionada à Francisquinha e à sua marca amorosa na história.
Já em casa, debaixo das flores e luzes multicolores de arraiais que todos ajudaram a montar, a banda tocava e toda a aldeia reunida na dança do encontro partilhava as mesas fartas, encantada com aquela senhora que, incansável, do “seu lugar” enfeitado a rigor, acolhia, abraçava, agradecia, dava palmas e, na felicidade da paz conquistada, envolta no amor partilhado, vivia este dia como mais uma dádiva especial que agradecia a Deus, na aceitação plena de uma história tornada missão acolhida e concretizada, ocupando o “seu lugar”, na alegria que só o amor faz acontecer.








