Um total de 17 missionários católicos – padres, freiras, seminaristas e leigos – foram mortos em todo o mundo em 2025, dez dos quais em África, e cinco deles na Nigéria. Os dados, que revelam um aumento de quatro mortes face ao ano anterior, constam do relatório anual da Agência Fides, divulgado no final de dezembro.
Segundo o relatório de 2025 deste serviço das Pontifícias Obras Missionárias, dez padres, dois seminaristas, dois catequistas, duas religiosas e um leigo perderam a vida no contexto da sua missão ao longo do último ano.
O documento salvaguarda que a definição de “missionários” é ampla, incluindo todos os católicos que estão envolvidos de alguma forma em atividades pastorais e que são mortos em circunstâncias violentas, independentemente de as suas mortes atenderem ou não aos critérios rigorosos para o martírio.
Tal como em anos anteriores, o continente africano continua a ser um dos mais perigosos para o trabalho missionário, com dez mortes registadas em 2025. Os países afetados foram Burkina Faso, Quénia, Serra Leoa, Sudão e Nigéria, país onde ocorreram metade das mortes naquele continente.
Em entrevista à Fides, o arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, que é nigeriano, partilhou que “tudo isto é motivo de profunda tristeza” e “também de um pouco de vergonha”. “A Nigéria é um dos países com a população mais religiosa do mundo: uma nação de crentes, cristãos e muçulmanos. Todos nós afirmamos ser um povo de paz”, acrescentou.
Na entrevista, Nwachukwu destacou que esses cristãos não morreram a tentar ser heróis, mas foram vítimas da violência no seu quotidiano, nomeadamente em seminários ou escolas. E enfatizou que o governo nigeriano deveria fazer mais para defender e proteger pessoas inocentes e melhorar a situação de segurança no país.
Mais do que números, nomes e histórias concretas
Depois do continente africano, a América é a região mais afetada este ano, com quatro missionários mortos em 2025: dois padres no México e nos Estados Unidos e duas religiosas no Haiti.
Na Ásia, foram assassinados um padre e um leigo em Myanmar, e um professor nas Filipinas. Por fim, na Europa, um padre foi morto na Polónia.
Entre as histórias destacadas pela Fides, está a do jovem seminarista nigeriano, Emmanuel Alabi, que morreu em julho de inanição (falta extrema de alimentos e consequente fraqueza) e devido aos ferimentos sofridos quando foi sequestrado do seminário menor onde estudava, em Ivianokpodi.
A agência menciona também a história das religiosas Evanette Onezaire e Jeanne Voltaire, ambas pertencentes às Irmãzinhas de Santa Teresa do Menino Jesus, que foram assassinadas em março por membros de gangues armadas no Haiti, como o 7Margens deu conta na altura.
A Fides destaca ainda a dramática história do padre Donald Martin, o primeiro sacerdote católico birmanês morto no conflito que assola Myanmar. O seu corpo mutilado e já sem vida foi encontrado em fevereiro por vários dos seus paroquianos no complexo da igreja [ver 7Margens].De 2000 a 2025, a Fides contabilizou a morte de 626 missionários ou agentes pastorais.
Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








