O Papa Leão XIV à janela do apartamento pontifício, no ângelus de 1 de setembro de 2025. Foto © Vatican Media

O Papa manifestou domingo, 4 de janeiro, a sua “preocupação” com a situação na Venezuela, após o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) para capturar o presidente do país, Nicolás Maduro, apelando ao respeito pela “soberania” de cada nação. O Conselho Mundial de Igrejas também criticou o desrespeito pelas leis internacionais.

“Com o coração cheio de preocupação, acompanho os desenvolvimentos da situação na Venezuela. O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e levar a superar a violência e a empreender caminhos de justiça e paz”, disse Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.

O Papa apelou a todas as partes, para que garantam “a soberania do país, assegurando o Estado de direito inscrito na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de cada um e de todos”.

Leão XIV convidou os venezuelanos a trabalhar para “construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem devido à difícil situação económica”.

Os EUA lançaram na madrugada de sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder, garantindo o acesso a petróleo e recursos naturais do país, como anunciou o presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, que levou à captura de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores.

Em resposta a esta intervenção, o governo venezuelano denunciou a “gravíssima agressão militar” dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.

Leão XIV convidou os católicos a rezar pela paz, confiando essa oração à “intercessão de Nossa Senhora de Coromoto e dos Santos José Gregório Hernández e irmã Cármen Rendiles”, figuras de referência da Igreja Católica no país sul-americano. “Caríssimos, continuemos a ter fé no Deus da Paz. Oremos e sejamos solidários com os povos que sofrem devido às guerras.”

Bispos do país: “Serenidade, sabedoria e fortaleza”

Na noite de sábado, 3, a Conferência Episcopal da Venezuela apelou à “serenidade, sabedoria e fortaleza” da população, manifestando a sua solidariedade com os feridos e familiares das vítimas resultantes da atual situação política no país. “Apelamos ao Povo de Deus para que viva mais intensamente a esperança e a oração fervorosa pela paz nos nossos corações e na sociedade, rejeitando qualquer tipo de violência”, refere o comunicado do episcopado, divulgado nas redes sociais.

A mensagem dos bispos católicos surge num momento de convulsão social e política, pedindo que as decisões tomadas pelos responsáveis sejam sempre orientadas para o “bem-estar” do povo e que se favoreça a “ajuda mútua”.

“Violações flagrantes do direito internacional”

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI), numa declaração do secretário-geral do Jerry Pillay, considerou “os ataques” dos EUA  e a “captura e detenção” de Maduro e da sua mulher como “violações flagrantes do direito internacional”. “Estas ações criam um precedente e um exemplo perigosos para outros que procuram ignorar todas as restrições contra o uso da agressão armada e da força bruta para alcançar objetivos políticos”, acrescentou Jerry Pillay.

No texto, o CMI deixou um apelo urgente “à cessação de tais ataques, ao respeito pelos princípios do direito internacional e da soberania dos Estados, à resolução de disputas por meio do diálogo e da diplomacia, em vez da violência armada, e à Organização das Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos para que tomem medidas rápidas para garantir que todos os membros respeitem as cartas e convenções relevantes”.

Jerry Pillay concluiu afirmando que, “nestes tempos perigosos e incertos, o mundo precisa de líderes sábios e corajosos para a paz, em vez da proliferação de conflitos e da normalização da ilegalidade internacional, que arriscam uma descida ainda mais profunda ao caos”. E deixou uma última nota: “Oramos para que a sabedoria e a paz prevaleçam neste contexto e em outras partes do mundo.”

Texto: 7M/Agência Ecclesia

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