A Casa da Torre, situada em pleno ambiente minhoto, foi o lugar escolhido, nos inícios da década de 1950, para albergar o noviciado e o juniorado da Companhia de Jesus em Portugal, chegando, nesse período, a albergar várias dezenas de jesuítas. Após cerca de 25 anos, a falta de vocações levou à transladação do noviciado para Coimbra e a uma redefinição da missão deste espaço. Com o tempo, esta casa foi progressivamente sendo adaptada para retiros, exercícios espirituais e cursos de formação humana, acabando por assumir o título de “Centro de espiritualidade e cultura”, numa tentativa de plasmar o tipo de atividades ali promovidas. Atualmente, e depois de um ano em que esteve suspensa, decidiu-se
o regresso de uma comunidade residente de jesuítas a Soutelo, numa tentativa de animar a Casa da Torre na sua vocação fundamental que é a de proporcionar um espaço de encontro de Deus com cada um.
Um cristão, como seguidor de Cristo, é chamado a viver segundo o mesmo espírito que O guiou. Mas reconhecer a presença desse espírito na nossa vida nem sempre é óbvio, sobretudo num tempo em que vivemos sujeitos a uma dispersão mental e afetiva que leva a um desgaste humano, psicológico e espiritual difícil de ultrapassar. Atenta a estes fenómenos, a Casa da Torre procura responder à necessidade de espaços essenciais de silêncio e de paz, promovendo retiros e encontros que ajudem as pessoas a recentrar a sua vida no essencial e a reconhecer a presença de um Deus que se quer fazer cada vez mais próximo de cada um.
O aparente afastamento das pessoas do transcendente talvez não seja assim tão real. Há uma sede de sentido, de um propósito, sobretudo nas gerações mais novas, que não é saciada por nada visível ou tangível que encontram à sua volta. Curiosamente, temos recebido cada vez mais pedidos de grupos de meditação que, apesar de não estarem vinculados a nenhuma religião, revelam a busca das pessoas por algo que lhes plenifique a vida. A espiritualidade cristã – e, sobretudo, a inaciana – é um tesouro que auxilia essa busca por sentido e ordem interior. Assim, a espiritualidade cristã torna-se uma pastoral de fronteira, porque acolhe buscadores de sentido e apresenta uma resposta a essa busca que é uma vida vivida a partir do mesmo espírito que animou Jesus.
Texto: Francisco Ferreira, sacerdote jesuíta e diretor da Casa da Torre







