A Fundação Allamano (FA), uma instituição dos Missionários da Consolata com instalações em Águas Santas, no município da Maia (Porto), dedica-se ao acolhimento de refugiados oriundos de África, e, mais recentemente, ao apoio de algumas famílias da Ucrânia. A integração dos cidadãos ucranianos tem sido feita de forma gradual, respeitando o ritmo de cada um e a sua capacidade de adaptação à realidade atual.

Todos têm a sua documentação regularizada e estão inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). As crianças foram integradas na escola portuguesa. Os adolescentes continuam os seus estudos na Ucrânia, assistindo às aulas online. Os adultos participam em cursos de alfabetização de português, e duas mulheres já foram a entrevistas de emprego e procuram inserir-se no mercado de trabalho. A articulação com todas as entidades é feita por Ana Correia, assistente social da fundação. A equipa da FA tem ainda garantido o acesso a tratamentos de saúde dentários e está atenta às necessidades individuais, respondendo com generosidade e espírito de serviço.

Entre os ucranianos acolhidos, encontrava-se uma família constituída por seis elementos – avó, duas filhas e três netas – que, neste momento, com o apoio da Igreja Ortodoxa, alugaram um apartamento no concelho da Maia. A avó, de 69 anos, teve que partir do seu país com as suas duas filhas e as suas três netas, a mais pequena com apenas um ano de idade. Os seus genros ficaram na Ucrânia a lutar pela sua pátria, pela liberdade de um povo e, principalmente, pela liberdade das suas filhas. Estas mulheres querem regressar ao seu país, às suas casas e aos seus trabalhos, à vida que tiveram de abandonar abruptamente, de um dia para o outro.

Com emoção, dizem que todos os dias são uma tortura, pois temem pela vida dos seus maridos que lá ficaram, e a de tantos outros familiares e amigos. Desesperam por não saber como estão as suas casas, os seus bens. Ambas as irmãs têm cursos superiores e trabalhavam em empresas qualificadas, eram mulheres independentes. Agora não têm nada. Têm que viver de ajudas, e isso é uma dor muito grande que têm consigo. Contudo, são fortes e determinadas. Com alegria, dizem-nos que vai tudo correr bem, que em breve voltarão para o seu país e que as suas vidas voltarão ao normal. Até lá, dizem estar felizes por estar em Portugal e que são muito bem tratadas por todos. Saíram da Fundação Allamano com um sorriso, e mantemos o contacto e o apoio domiciliário. Conseguirem a sua autonomia é a maior alegria que poderíamos ter, pois todos somos seres livres e todos merecemos um novo começo. Na despedida emocionada deixaram-nos uma mensagem de agradecimento, através de um desenho feito pelas duas meninas mais crescidas, de cinco e quatro anos.

Texto: Ana Correia e José Miranda, membros da direção da Fundação Allamano

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