Foto. EPA / Alessandro Di Meo

O Papa Francisco chamou a atenção, esta quarta-feira, 30 de setembro, para as desigualdades económicas e sociais que ameaçam a humanidade e manifestou-se particularmente crítico com a ideia de voltar à “normalidade”, por considerar que antes da pandemia o mundo já estava “doente de injustiça, desigualdade e degradação ambiental”.

“Um pequeno vírus continua a causar feridas profundas e desmascara as nossas vulnerabilidades físicas, sociais e espirituais. Mostrou a grande desigualdade que reina no mundo: desigualdade de oportunidades, de bens, de acesso aos cuidados médicos, de tecnologia, educação, milhões de crianças não podem ir à escola, e assim por diante”, afirmou o Pontífice durante audiência geral, no Vaticano.

Para Francisco, para se sair da crise provocada pela pandemia, é necessário “encontrar a cura não só para o coronavírus, que é importante, mas também para os grandes vírus humanos e socioeconómicos”, que têm causado tantas desigualdades e injustiças. “Não podemos esperar que o modelo económico que está na base de um desenvolvimento injusto e insustentável resolva os nossos problemas. Não o fez e não o fará, embora certos falsos profetas continuem a prometer o ‘efeito dominó’, que nunca chega”, sustentou.

Ao encerrar o ciclo de catequeses sobre a Covid-19, iniciado a 5 de agosto, e que serviu para falar dos “caminhos da dignidade, da solidariedade e da subsidiaridade”, a partir da Doutrina Social da Igreja, o Papa desafiou as comunidades católicas a cuidar das “dores sociais”, promovendo a inclusão dos marginalizados, como Jesus Cristo, “sem distinção de raça, língua ou nação”.