O Papa Francisco aproveitou a Missa celebrada esta segunda-feira, 6 de abril, na Casa de Santa Marta, no Vaticano, para pedir mais atenção aos pobres, e apelar aos responsáveis políticos que encontrem soluções para evitar uma “grave calamidade” nos estabelecimentos prisionais sobrelotados, no contexto da pandemia de Covid-19 que afeta o planeta. “No final da vida seremos julgados sobre a nossa relação com os pobres”, salientou o Pontífice.

“Gostaria que hoje rezássemos pelo problema da sobrelotação nos cárceres. Onde há muita gente, há o perigo, nesta pandemia, de que se acabe numa grave calamidade. Rezemos pelos responsáveis, por aqueles que devem tomar as decisões, a fim de que encontrem um caminho justo e criativo para resolver o problema”, afirmou o Papa.

Na homilia, Francisco recordou os pobres e indiferença com que a sociedade os encara. “Há um costume de ver os pobres como decorações de uma cidade, como [se fosse] uma coisa normal. Mas a grande maioria é de pobres vítimas das políticas económicas, das políticas financeiras. Algumas estatísticas recentes fazem um resumo assim: há muito dinheiro nas mãos de poucos e tanta pobreza em muitos, em muitos. E essa pobreza é a pobreza de muita gente vítima da injustiça estrutural da economia mundial”.

O Santo Padre recordou ainda os muitos pobres da classe média, envergonhados, que vão às escondidas à Cáritas e de modo escondido pedem e se envergonham, sublinhado que todos seremos julgados pela forma como encaramos e tratamos os mais necessitados. “Se eu, hoje, ignoro os pobres, os deixo de lado, creio que [eles] não existem, o Senhor me ignorará no dia do juízo. Quando Jesus diz: ‘Os pobres, sempre os tereis convosco’, significa: ‘Eu estarei sempre convosco nos pobres. Ali estarei presente’”. E isso não é ser comunista, esse é o centro do Evangelho: nós seremos julgados sobre isso”, concluiu.