À medida que as pressões económicas e sociais têm aumentado, por causa da pandemia do novo coronavírus, também a violência doméstica tem registado “um crescimento horrível” a nível global. Os bloqueios e quarentenas decretadas pelos governos são essenciais para conter a propagação do vírus, mas “para muitas mulheres e meninas, a ameaça é maior onde deviam estar mais seguras, em suas próprias casas”, adverte o secretário-geral da ONU.
Segundo António Guterres, em alguns países, o número de mulheres que telefonam para os serviços de apoio duplicou, numa altura em que os profissionais de saúde e a polícia estão sobrecarregados e com falta de pessoal. Além disso, os grupos de apoio locais estão paralisados ou com poucos fundos e alguns abrigos para vítimas de violência doméstica estão fechados ou lotados.
“A combinação de tensões económicas e sociais provocadas pela pandemia, bem como restrições ao movimento, aumentaram dramaticamente o número de mulheres e meninas que enfrentam abusos, em quase todos os países. Quando, mesmo antes, as estatísticas já mostravam que um terço das mulheres em todo o mundo sofre alguma forma de violência em suas vidas”, sublinha o líder da ONU.
De acordo com dados oficiais, em 2017, 87 mil mulheres foram intencionalmente mortas, mais da metade por parceiros íntimos ou familiares. A violência contra as mulheres é uma causa tão grave de morte e incapacidade entre as mulheres em idade reprodutiva quanto o cancro e uma causa maior de problemas de saúde do que os acidentes de trânsito e a malária combinados.
Tendo em conta o contexto atual que se vive a nível global, por causa da pandemia, Guterres pede aos governos que incluam a prevenção e combate à violência doméstica nos seus planos de resposta à Covid-19 e sugere, entre outras medidas, a instalação de sistemas de aviso de emergência em farmácias e mantimentos, designação de abrigos como serviços essenciais e criação de formas seguras para que as mulheres procurem apoio, sem alertar os agressores.
