Governo impôs uma quarentena obrigatória à população para tentar evitar um desastre de saúde pública. Leigos católicos alertam que é urgente não esquecer o apoio aos mais desfavorecidos
Durante 21 dias, 1,3 mil milhões de indianos, quase um quinto da população mundial, estão proibidos de sair à rua, por determinação do governo, que procura, desta forma, evitar um desastre de saúde pública, com a disseminação do novo coronavírus num país onde milhões de cidadãos vivem em zonas densamente povoadas, com estruturas sanitárias muito deficientes.
A 25 de março, quando entraram em vigor as medidas restritivas, havia 469 casos confirmados com a Covid-19 e 11 mortes na Índia. Mas mais de 1,8 milhões de pessoas estavam a ser monitorizadas depois de terem manifestado sintomas da doença ou por terem estado em contacto com pessoas infetadas. Dado que até essa data só haviam sido realizados cerca de 17 mil testes, teme-se que a taxa de contágio seja muito mais alta.
«Se não pudermos controlar esta pandemia nos próximos 21 dias, o país e as nossas famílias sofrerão um atraso de 21 anos. Se não pudermos gerir os próximos 21 dias, muitas famílias serão destruídas para sempre», afirmou o primeiro-ministro, Narendra Modi, ao anunciar as novas restrições ao país.
Segundo os especialistas, o bloqueio por ter um impacto devastador nos 300 milhões de indianos que vivem no limiar da pobreza e sobrevivem com os rendimentos diários. Neste contexto, os cristãos alertam para a urgência em atender às necessidades dos mais pobres, o que poderá depender da criação de uma rede de organizações, como foi sugerido pelo ministro.
«O bloqueio é necessário, mas não está claro como poderão sobreviver os pobres, os marginalizados, os que vivem com o que ganham a cada dia. Milhões de pessoas pobres não têm frigoríficos para armazenar alimentos. Como irão sobreviver estas famílias?», questiona Mathew George, um líder cristão, em declarações à agência Fides.