O açambarcamento de produtos alimentares e de higiene, registado um pouco por todo o mundo, não faz sentido e é desaconselhado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), já que a rutura de stocks não está em causa neste momento e essa atitude pode impedir que outras pessoas tenham acesso a esses produtos.

«Não há necessidade de açambarcamento de alimentos, mesmo por ética pessoal. Sabemos que açambarcando alimentos impedimos que outros possam ter acesso a esses mesmos alimentos. É claro que, com as restrições, a pessoa não está segura em sair, ir ao mercado todos os dias, e prefere ter algum abastecimento doméstico que impeça de ter de sair e se expor. Mas temos de agir com responsabilidade. Há medidas que estão a ser tomadas a nível global para permitir que, de facto, o estabelecimento de alimentos seja estável», garantiu a representante da FAO em Nova Iorque.

Em declarações à ONU News, Carla Mucavi disse não existirem ruturas nos bens essenciais, apesar dos impactos que o novo coronavírus pode ter na cadeia alimentar. No entanto, e para evitar uma crise nos próximos meses, deixou um conjunto de sugestões aos governos dos Estados-membros e às populações.

«É preciso que os governos garantam acesso aos alimentos, sobretudo, para as populações vulneráveis. Temos populações que estão em situação de crise humanitária. Mas também é preciso, por exemplo, que se limite a restrição nas taxas de importação de alimentos. Estamos a falar da restrição dos transportes, da circulação, os governos começaram a impor taxas elevadas de importação, isso vai contribuir para a escassez de alimentos nos mercados. Tem de haver um avanço nas negociações do mercado e comércio», propôs Mucavi.