Representantes da Organização Mundial de Saúde alertam que não está provado que deixar contagiar-se com o coronavírus gera a imunidade como foi sugerido pelos responsáveis de alguns países, como o Reino Unido

Os especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa advertiram esta semana que permitir que o coronavírus (Covid-19) circule para que uma grande parte da população se contagie e consiga a imunidade, como chegou a ser sugerido por países como o Reino Unido, não é recomendável nesta fase em que não se sabe ainda o suficiente sobre a doença.

«É um vírus novo e temos que aprender sobre ele. Causa imunidade? Ou é como a gripe e muda a cada ano? Não sabemos o suficiente e um pacote integral de medidas muito básicas de saúde pública é o adequado. Mais adiante pode ser que tenhamos mais informação. Neste momento, há que identificar os casos, rastrear os contactos e conter e suprimir o vírus para dar tempo aos sistemas sanitários de responder», aconselhou o diretor regional da OMS, Hans Kulge.

Segundo o responsável, a vida de milhões de pessoas na Europa está sujeita a uma «mudança radical» e confrontada com uma nova realidade, já que um terço dos casos de Covid-19 reportados a nível mundial se encontram no continente europeu. «A boa notícia é que a região está alerta e a responder», adiantou, sublinhando que a pandemia tem evoluído de forma diferente dependendo das características demográficas do país e de outros fatores.

«Também estamos a monitorizar a possível escassez de medicamentos, e outros produtos, como antibióticos e fármacos contra o HIV e a tuberculose. Além disso, estamos a entregar equipamento de proteção e a apoiar os laboratórios. Sabemos que já há escassez de alguns produtos e estamos a combatê-la», acrescentou Hans Kulge.

Reiterando a importância da colaboração da sociedade no combate à doença, cuja responsabilidade neste momento «é ficar em casa para não se contagiar», o diretor regional da OMS informou que já se está a trabalhar no desenvolvimento de testes que podem ser feitos em casa pelos pacientes. «Isto pode ter um papel importante no futuro», concluiu.