Três noites de debate em Braga colocam especialistas a falar sobre temas da atualidade, numa iniciativa dinamizada pela Igreja Católica, aberta a crentes e não crentes

A sexta edição do ciclo de conferências «Nova ágora» arranca na próxima sexta-feira, 13 de março, e prossegue nos dias 20 e 27 seguintes, no Espaço Vita, em Braga, sempre às 21h00. Na sua primeira sessão, a iniciativa vai incidir sobre as problemáticas ambientais, a segunda noite de reflexão será dedicada à saúde, e o último dos encontros vai debruçar-se sobre a precariedade laboral.

A palestra inaugural contará com a participação de personalidades como Bagão Félix, economista, e Domingos Xavier Viegas e Orfeu Bertolami, docentes no ensino superior. A moderar o debate vai estar Isabel Varanda, professora universitária. O segundo encontro será uma ocasião para escutar Cecília Leão, docente universitária, e Miguel Oliveira e Fernando Regateiro, ambos médicos. A conversa será moderada por Helena Machado, presidente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

O ciclo «Nova ágora» chega ao fim com a palavra de Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, José António Pereirinha, economista, e Paulo Granjo, docente no ensino superior. O tema vai contar com a moderação de Emília Araújo, professora universitária.

Paulo Terroso, sacerdote e diretor do Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Braga, lembra que a «Nova ágora» é um «espaço plural, não reservado unicamente a crentes». «A Igreja tem as portas abertas e abre-se sempre ao diálogo com o mundo. Não vive fechada no seu espaço, mas sim sempre em construção do bem comum», disse o religioso, na apresentação da sexta edição desta iniciativa.

Já Eduardo Duque, sacerdote coordenador da Nova Ágora, recordou que esta iniciatia dá resposta ao desejo de Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga, que pretende colocar a Igreja em diálogo com a cultura contemporânea. «Este encontro tem por base o respeito pela opinião de cada um, porque o que importa é perceber que em cada pessoa, se honesta, há um fundo de verdade e uma ânsia de unidade, que é comum à natureza de todos os seres humanos, pelo que este pode ser o caminho de uma abertura recíproca e a um intercâmbio fecundo», afirmou o sacerdote.

Eduardo Duque salientou que os comentários que têm chegado até aos organizadores desta iniciativa mostram que o evento tem contribuído para ajudar a sociedade civil a ultrapassar preconceitos, possibilitando a construção de uma sociedade mais justa. «Num tempo em que as fake news invadem os nossos canais televisivos e até a nossa privacidade, ficamos sem capacidade de discernir e, naturalmente, a nossa liberdade está posta em causa. É preciso, portanto, dialogar melhor com esta cultura, levar-lhe a verdade das coisas, falar-lhe da grandeza da pessoa, da beleza das coisas simples, da riqueza da transcendência», disse o religioso.

Para Jorge Ortiga, o ciclo de conferências é a concretização da «cultura do encontro», invocada pelo Papa Francisco. «Queremos um diálogo sem reservas, nunca numa atitude táctica, mas como constitutivo de um novo modo de ser Igreja que faz uma experiência sincera da profundidade da sua verdade, aprofundando os seus verdadeiros significados e as suas diferentes implicações práticas», disse o prelado. A entrada nas conferências é gratuita, mas carece de inscrição.