Seca severa está a deixar os agricultores e pastores sem meios de subsistência. Cerca de 80 por cento da população afegã depende economicamente dos cultivos e da criação de animais
Seca severa está a deixar os agricultores e pastores sem meios de subsistência. Cerca de 80 por cento da população afegã depende economicamente dos cultivos e da criação de animais a prolongada e devastadora seca que tem atingido o afeganistão, fruto das alterações climáticas, está a deixar os agricultores e pastores sem soluções para salvarem as colheitas e alimentar os animais. Muito do gado acaba por morrer de sede ou de fome e a insegurança alimentar começa a ameaçar muitas das famílias afegãs que dependem da agricultura e da produção de gado para sobreviver. Já vi várias secas antes, mas nenhuma tão dura como a do ano passado. a maioria dos produtores de gado não podem permitir-se a comprar comida para os seus animais e muitas ovelhas e outros animais morrem de fome e sede nas montanhas e no deserto, testemunhou um negociante de gado, de 45 anos. E as previsões para o futuro não são animadoras. apesar de ser responsável apenas por 0,1 por cento das emissões de gases de efeito estufa no planeta, o afeganistão é um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas. Para as próximas quatro décadas, os cientistas preveem uma diminuição das precipitações e um aumento médio das temperaturas de quatro graus centígrados em relação a 1999. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a partir do próximo ano, a seca poderá considerar-se a norma, o que irá provocar uma maior desertificação. Isto quando quase metade dos habitantes das zonas rurais enfrentam já o risco de insegurança alimentar, num país em que o desemprego e a pobreza são os principais impulsionadores da guerra.