Planos das mineradoras no Brasil afetam dezenas de Terras indígenas e Unidades de Conservação onde vivem pelo menos 71 povos indígenas isolados. Mais de metade dos requerimentos é para exploração de ouro
Planos das mineradoras no Brasil afetam dezenas de Terras indígenas e Unidades de Conservação onde vivem pelo menos 71 povos indígenas isolados. Mais de metade dos requerimentos é para exploração de ouroOs dados recolhidos pelo Instituto Socioambiental (ISa) e a agência Nacional de Mineração revelam, pela primeira vez, a extensão dos planos de mineradoras que incidem em territórios de povos indígenas isolados. atualmente, há mais de 3. 700 requerimentos para mineração, que afetam 31 Terras Indígenas e 17 Unidades de Conservação onde há registos da presença de pelo menos 71 comunidades indígenas isoladas. a Terra Indígena (TI) Yanomami, uma das áreas com maior incidência de requerimentos, pode ser uma das mais afetadas. aquela região já sofre há muitos anos com o garimpo ilegal e a contaminação com mercúrio. O ano passado, o povo yanomami denunciou a entrada de mais de 10 mil garimpeiros ilegais e pediu auxílio ao governo federal. Recorde-se que cerca de 20 por cento da população yanomami do lado brasileiro morreu de doenças levadas pelos garimpeiros durante a corrida ao ouro no final da década de 1980. Para antonio Oviedo, investigador do ISa, o impacto das políticas do governo de Jair Bolsonaro, um ano depois de tomar posse, já começa a surtir efeitos. Quando faz declarações contra os órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização, automaticamente, os dados do desmatamento aumentam no mesmo mês. Sobre os [indígenas] isolados, há um conjunto de terras bastante visadas nessa escalada de invasões. Citado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Oviedo adianta ainda outro dado preocupante: enquanto o desmatamento na amazónia cresceu 25 por cento em média e dentro das terras indígenas aumentou 80 por cento, o registo de desmatamento em áreas com a presença de povos isolados subiu 114 por cento em 2019, comparando com 2018. Em relação a 2017, esse aumento foi de 364 por cento. O desmatamento é um indicador claro do impacto das políticas. E os isolados sofrem pressões e ameaças ainda maiores. Existe uma política de enfraquecimento da coordenação de isolados na FUNaI [Fundação Nacional do Índio] com o encerramento de bases de fiscalização na TI Yanomami e Vale do Javari, por exemplo, o que cria uma situação bastante preocupante, assinala o investigador.