Relatório de especialistas das Nações Unidas em direitos humanos aponta para ataques dirigidos a uma etnia especí­fica, na região de Ituri, uma zona rica em ouro e petróleo
Relatório de especialistas das Nações Unidas em direitos humanos aponta para ataques dirigidos a uma etnia especí­fica, na região de Ituri, uma zona rica em ouro e petróleo a violência que se vive desde dezembro de 2017 na região de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), poderá ter elementos constitutivos de crimes contra a humanidade e considerar-se um crime de genocídio, segundo um relatório divulgado esta sexta-feira, 10 de janeiro, pelas Nações Unidas. O documento, elaborado em conjunto pela Missão da ONU na RDC (MONUSCO) e pela agência de Direitos Humanos, refere que pelo menos 701 pessoas morreram nos confrontos, e que a grande maioria das vítimas de ataques parece ter sido escolhida pela sua ligação à comunidade hema. O conflito entre os lendu, um povo maioritariamente de agricultores, e os hema, fazendeiros e comerciantes, agudizou-se em finais de 2017 em Ituri, uma província do noroeste da RDC que faz fronteira com o Uganda, e que é rica em ouro e petróleo. Entre 1993 e 2003, um conflito semelhante deixou dezenas de milhares de mortos, até à intervenção de uma força europeia, liderada pela França.