Nos últimos meses melhorou a distribuição de alimentos, mas apenas uma minoria com acesso à moeda estrangeira consegue pagar os preços dos produtos, devido à hiperinflação
Nos últimos meses melhorou a distribuição de alimentos, mas apenas uma minoria com acesso à moeda estrangeira consegue pagar os preços dos produtos, devido à hiperinflação a alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, fez esta semana uma atualização sobre a situação na Venezuela e manifestou-se preocupada com as questões eleitorais, de liberdade, violência e migração. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 62,2 por cento desde 2013, e os venezuelanos continuam a viver em sérias dificuldades. O governo decretou recentemente um aumento de 375 por cento no salário mínimo, mas o poder de compra em termos da cesta básica caiu 72,5 por cento desde o início de 2019. atualmente, o salário mínimo cobre apenas 3,5 por cento da cesta básica. Nos últimos meses, houve uma melhoria na distribuição de alimentos, mas apenas uma minoria da população, com acesso a moeda estrangeira, pode pagar os preços dos alimentos devido à hiperinflação, assinalou Bachelet. Durante o mês de novembro, a Cáritas informou que nas paróquias mais pobres de 19 estados do país, 11,9 por cento dos meninos e meninas que recebem assistência apresentaram sinais de desnutrição aguda, um aumento de 56 por cento em comparação com 2018. a organização tutelada pela Igreja Católica adiantou ainda que 48,5 por cento das grávidas tratadas tinham problemas de nutrição. No seu relatório, Bachelet disse estar preocupada também com o aumento da migração irregular devido, em parte, ao aumento de requisitos de entrada em alguns países de trânsito e destino, bem como dificuldades que os venezuelanos enfrentam para obter sua documentação de viagem. as autoridades venezuelanas aumentaram os custos de emissão de passaportes em 70 por cento, um custo equivalente a 54 salários mínimos, o que levou a um aumento no uso de rotas mais perigosas e na exposição de pessoas ao contrabando e tráfico de pessoas.com a aproximação das próximas eleições, em 2020, a alta Comissária disse ser crucial garantir liberdades públicas fundamentais para criar as condições necessárias para eleições livres, imparciais, credíveis, transparentes e pacíficas. Nesse sentido, reafirmou o seu apelo a todos os atores políticos do país para retomarem as negociações, alcançarem uma solução para a crise política e económica e darem novamente esperança à população.