No próximo ano, estima-se que 168 milhões de pessoas vão estar dependentes de ajuda para sobreviver. ONU pede 26 mil milhões de euros para financiar as operações humanitárias
No próximo ano, estima-se que 168 milhões de pessoas vão estar dependentes de ajuda para sobreviver. ONU pede 26 mil milhões de euros para financiar as operações humanitárias a estimativa é do Panorama Humanitário Mundial. Um número recorde de 168 milhões de pessoas irá necessitar de assistência em 2020, o que quer dizer que uma em cada 45 pessoas do planeta precisará de comida, alojamento, cuidados médicos, proteção ou ajuda básica para sobreviver. Para ajudar os mais vulneráveis, a ONU diz precisar de 26 mil milhões de euros. Se as atuais tendências se mantiverem, estimamos que poderá haver mais de 200 milhões de pessoas a necessitar de ajuda em 2022, avançou o coordenador de ajuda de Emergência das Nações Unidas, Mark Lowcock, alertando que a quantidade de pessoas necessitadas é a mais alta das últimas décadas. Na apresentação dos novos dados, os autores do relatório revelaram que o número de pessoas a necessitar de assistência aumentou em 22 milhões no último ano devido, sobretudo, aos conflitos violentos e de longa duração, aos eventos climáticos extremos e às epidemias. Lowcock referiu-se, em particular, aos conflitos armados: Deixaram mortas e mutiladas um número nunca antes visto de crianças. Mais de 12. 000 morreram ou perderam algum membro. Em relação às alterações climáticas, o responsável da ONU destacou que os eventos relacionados com este fenómeno, como secas, inundações e ciclones tropicais afetaram mais comunidades do que se poderia prever. E estes desastres têm prejudicado desproporcionalmente a população mais pobre e vulnerável. Já no que diz respeito às doenças, as necessidades humanitárias atingiram níveis sem precedentes. Em África, nos primeiros três meses do ano registou-se um aumento de 700 por cento nos casos de sarampo em relação ao mesmo período de 2018, e na República Democrática do Congo ocorreram 5. 000 mortes relacionadas com a doença, só este ano, adiantou Lowcock. Em termos de escala, o Iémen continua a enfrentar a pior crise humanitária do mundo depois de quase cinco anos de guerra, com cerca de 24 milhões de pessoas a precisar da ajuda, ou seja, 80 por cento da população. Os fundos solicitados pela ONU serão fundamentais para assegurar assistência também noutros cenários complicados de conflito, como são os casos do afeganistão, Burundi, Iraque, Síria e República Centro-africana.