Ondas de calor provocadas pelas massas de ar quente provenientes de África têm sido cada vez mais frequentes e severas a partir de meados de 1970, atingindo com mais regularidade o norte da Europa
Ondas de calor provocadas pelas massas de ar quente provenientes de África têm sido cada vez mais frequentes e severas a partir de meados de 1970, atingindo com mais regularidade o norte da EuropaUm estudo divulgado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (UL) concluiu que as massas de ar quente de África que invadem a Península Ibérica, gerando ondas de calor como as que atingiram Portugal em 2018 e a Europa Central em 2019, aumentaram de frequência nos últimos 40 anos. Segundo Pedro Sousa, investigador do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da UL e autor principal do estudo, citado pela agência Lusa, a justificação para o fenómeno pode estar numa correlação de fatores, como o crescente aumento da temperatura do ar e alterações nos padrões atmosféricos, provocadas pelo aquecimento da atmosfera. Nas regiões da Península Ibérica e do Mediterrâneo, as ondas de calor surgem frequentemente associadas às entradas de ar do norte de África, devido à proximidade territorial. Foi o caso das ondas de calor de agosto de 2018 e junho de 2019. Em agosto do ano passado, por exemplo, a onda de calor afetou a zona oeste da Península Ibérica, com a massa de ar com características desérticas a entrar pelo oeste peninsular, chegando à região espanhola da Galiza, algo totalmente inédito até então. Já em junho último, o ar proveniente de África atravessou a zona leste da Península Ibérica e chegou a grande parte da Europa Central, estendendo-se para norte. O fenómeno, que não afetou Portugal, causou temperaturas extremas que se estenderam do Mediterrâneo espanhol ao sul da alemanha, com França a registar pela primeira vez máximas acima dos 45ºC, assinala o investigador.